05/Nov/2026
A taxa média final de prenhez das fazendas acompanhadas pela iRancho, agtech especializada em tecnologia para gestão da pecuária, alcançou 65,54% entre julho de 2025 e junho de 2026, período analisado pelo levantamento Radar da Cria 25/26, obtido com exclusividade pelo Broadcast Agro. O resultado supera a faixa de 50% a 60% apresentada pelo estudo como referência histórica para a pecuária nacional. A pesquisa considerou 131.204 matrizes submetidas a protocolos reprodutivos e aponta potencial de ampliar a produção de bovinos sem aumentar proporcionalmente o número de fêmeas do rebanho. O desempenho foi registrado em um cenário de valorização dos bovinos de reposição, após o elevado abate de fêmeas em 2025 ter contribuído para reduzir a oferta de bezerros no mercado brasileiro. Em alguns meses daquele ano, vacas e novilhas representaram 46% do total de bovinos abatidos no País.
A liquidação de matrizes, intensificada pela necessidade de ajuste de caixa e redução de custos nas propriedades, restringiu a disponibilidade de animais para reposição e impulsionou as cotações. No fim de 2025, o bezerro superou R$ 3 mil por cabeça e, em 2026, atingiu R$ 4 mil em algumas regiões de Mato Grosso do Sul. O Indicador do Bezerro Cepea/Esalq chegou a R$ 3.572,96 em 30 de outubro. Com a valorização dos animais de reposição, o comportamento dos pecuaristas mudou ao longo do período analisado. A retenção de vacas e novilhas ganhou força, enquanto o mercado de touros e genética voltou a receber investimentos. Nesse contexto, a eficiência reprodutiva tornou-se ainda mais relevante para o aproveitamento das matrizes, uma vez que o aumento do número de fêmeas prenhes permite ampliar a oferta de bezerros para comercialização nos ciclos seguintes.
O Radar da Cria analisou mais de 1,3 milhão de dados e eventos produtivos de 3.150 fazendas distribuídas pelas 27 unidades da Federação. Das 131.204 matrizes monitoradas, 85.990 ficaram prenhes. Entre os Estados avaliados, o Paraná apresentou a maior taxa de prenhez, de 74,50%, seguido pelo Pará, com 71,71%, e por São Paulo, com 68,21%. Mato Grosso registrou índice de 67,66%; Mato Grosso do Sul, de 64,59%; e Goiás, de 63,72%. Em números absolutos, Mato Grosso do Sul liderou, com 20.749 matrizes prenhes entre 32.122 avaliadas. A distribuição das gestações ao longo dos protocolos de inseminação artificial em tempo fixo (IATF) também indica concentração dos resultados na primeira tentativa. No período analisado, 76,69% das prenhezes foram confirmadas no primeiro procedimento, enquanto a segunda tentativa respondeu por 19,74%, a terceira por 3,21% e a quarta ou posteriores por 0,36%.
Entre as novilhas, a taxa final de prenhez alcançou 63,74%. Do total de fêmeas que emprenharam, 68,39% tiveram a gestação confirmada na primeira IATF. O levantamento identificou ainda que 19,20% dos primeiros serviços dessas fêmeas ocorreram entre julho e setembro de 2025, durante o período seco, que exige atenção à suplementação alimentar. O estudo também apontou a influência da condição corporal das matrizes sobre os resultados reprodutivos. A taxa de concepção aumentou de 47,50% entre fêmeas com escore de condição corporal (ECC) de 2,50 para 55,25% naquelas com ECC de 2,75. Em uma simulação com mil matrizes, essa diferença representaria aproximadamente 78 bezerros adicionais. Considerando o preço de R$ 3,1 mil por cabeça, a receita adicional poderia alcançar R$ 241,8 mil, reforçando o impacto econômico do manejo nutricional e reprodutivo sobre a produtividade da cria. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.