05/Nov/2026
Segundo a Embrapa Gado de Corte, a implantação da rastreabilidade individual obrigatória do rebanho bovino brasileiro poderá exigir a identificação de aproximadamente 50 milhões de bovinos por ano, considerando tanto o estoque existente quanto os bovinos destinados ao abate. A dimensão do rebanho nacional é um desafio operacional para a execução do programa. A obrigatoriedade precisa levar em conta a capacidade de execução e o volume de bovinos a serem identificados. A ferramenta oferece benefícios relevantes, mas demandará um esforço expressivo de toda a cadeia pecuária. O debate ocorre no contexto da implementação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB), coordenado pelo Ministério da Agricultura. O cronograma oficial prevê quatro etapas, iniciadas em 2025, com conclusão em 31 de dezembro de 2032.
Em 2026, a segunda fase contempla a adequação dos sistemas estaduais à futura base nacional de dados. Entre 2027 e 2029, a identificação individual será direcionada aos animais submetidos a determinados manejos sanitários e incluídos em protocolos privados. Na etapa final, de 2030 a 2032, a identificação será exigida antes da primeira movimentação dos bovinos, com a meta de alcançar todo o rebanho nacional. Considerando os sete anos restantes para a conclusão do programa, Bartocci estima que será necessário identificar aproximadamente 30 milhões de animais por ano para cobrir o rebanho bovino existente. O cálculo considera um universo de cerca de 200 milhões de cabeças, distribuído pelo período de implementação. Com a inclusão dos bovinos destinados ao abate anualmente, a necessidade de identificação poderia se aproximar de 50 milhões de bovinos por ano.
A dimensão do rebanho brasileiro exige planejamento e estrutura operacional para que a medida seja efetivamente implementada. Nesse contexto, o setor deve considerar a experiência do Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov). Uma regulamentação anterior, de 2002, previa que todos os bovinos e bubalinos do País estivessem identificados até 31 de dezembro de 2005, mas a meta não foi cumprida nos moldes inicialmente estabelecidos. Embora reconheça os avanços tecnológicos desde então, o dirigente identifica semelhanças entre as iniciativas e considera importante evitar a repetição das dificuldades anteriores. Apesar das ressalvas quanto à obrigatoriedade, há benefícios da rastreabilidade individual para a gestão das propriedades, o controle sanitário e a qualidade da carne.
É preciso diferenciar a identificação animal, que consiste na atribuição de um número ao bovino, da rastreabilidade propriamente dita, que exige o registro contínuo do histórico e das movimentações do animal. O processo também depende da coleta e da organização de informações que possam ser utilizadas pelos diferentes elos da cadeia produtiva. O principal benefício da ferramenta está na gestão da produção. A coleta de dados permite acompanhar o desempenho individual dos animais e mensurar indicadores como ganho médio diário de peso, além de relacionar os resultados à produtividade por hectare. Dessa forma, a rastreabilidade pode ampliar a capacidade de avaliação dos sistemas produtivos e apoiar decisões dentro das propriedades. A rastreabilidade não deve ser considerada uma solução isolada para problemas ambientais. Embora seja relevante para a gestão e o controle sanitário, a utilização da identificação individual como instrumento de combate a crimes ambientais pode representar um esforço desproporcional em relação à finalidade pretendida. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.