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30/Oct/2026

Frango: regionalização da Newcastle evita perdas

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a regionalização sanitária adotada nas negociações comerciais após os casos de Doença de Newcastle (DNC) em Santa Catarina evita perdas potenciais de aproximadamente US$ 954 milhões por ano nas exportações brasileiras de produtos avícolas. O cálculo considera as exportações de 2025 e o impacto que ocorreria caso fossem aplicadas as mesmas restrições comerciais registradas em 2024, quando o primeiro foco da doença foi identificado no Rio Grande do Sul. Em 2026, após a confirmação de três focos em Santa Catarina, em outubro, diversos parceiros comerciais limitaram os embargos ao Estado ou à área sob controle sanitário, sem suspender as compras de todo o Brasil. A estratégia, baseada em negociações internacionais e no reconhecimento da regionalização sanitária, busca preservar o fluxo comercial das regiões não afetadas.

Entre os mercados com maior impacto econômico potencial evitado estão a China, com aproximadamente US$ 485 milhões, a Arábia Saudita, com cerca de US$ 293 milhões, e a Argentina, com estimativa de US$ 57 milhões. Também contribuíram para reduzir as perdas potenciais as medidas adotadas por África do Sul, Jordânia, Cuba, Egito e Vietnã. As restrições comerciais variam conforme o país importador e a área de origem dos produtos. No momento, as exportações de carne de aves de todo o Brasil estão suspensas para Uruguai, México e Malásia. China, Arábia Saudita, Chile, Peru, Turquia, União Econômica Eurasiática (formada por Armênia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia), Paraguai e Uzbequistão restringiram as importações de produtos avícolas provenientes de Santa Catarina.

Para a área de restrição sanitária, que compreende os municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim, estão suspensas as exportações para Emirados Árabes Unidos, Japão, União Europeia, Reino Unido, Coreia do Sul, Filipinas, África do Sul, Omã, Jordânia, Hong Kong, Egito, Argentina, Cuba, Vietnã, Canadá, Bahamas, Argélia, Namíbia, República Dominicana, Nova Caledônia, Tanzânia, Marrocos, Timor-Leste, Bolívia, El Salvador e Vanuatu. A ampliação do reconhecimento da regionalização decorre das negociações intensificadas pelo Brasil após o primeiro caso de Newcastle, em julho de 2024. Desde então, o País buscou ajustar protocolos sanitários com parceiros comerciais para limitar as restrições às regiões afetadas.

A abordagem segue os princípios de regionalização previstos no Código Sanitário para os Animais Terrestres da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), com o objetivo de preservar o comércio das demais áreas produtoras. A resposta sanitária combina medidas de contenção e vigilância com articulação internacional. Após a confirmação do foco em Nova Itaberaba, o Mapa declarou emergência zoossanitária por 60 dias nos quatro municípios abrangidos pela área de restrição. Posteriormente, foram identificados outros dois focos, em Coronel Freitas e Nova Erechim, dentro da mesma área, sem alteração significativa da estratégia de contenção.

O Ministério da Agricultura mantém contato com os países importadores para atualizar as informações epidemiológicas, reforçar a confiança no sistema brasileiro de defesa agropecuária e contribuir para a normalização do comércio internacional. Ao todo, o Brasil registra três casos ativos de Newcastle, todos na mesma área de emergência zoossanitária, sob controle do Serviço Veterinário Oficial. A Doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres, podendo provocar sinais respiratórios seguidos de manifestações nervosas. A doença é de notificação obrigatória à OMSA. Segundo o Ministério da Agricultura, o consumo de produtos avícolas inspecionados não transmite a enfermidade e permanece sem contraindicações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.