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26/Oct/2026

Frango: Newcastle pode pressionar preços internos

Segundo o Itaú BBA, o foco da Doença de Newcastle identificado em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba (SC) deve ter impacto limitado sobre as exportações brasileiras de carne de frango, mas pode pressionar os preços no mercado interno e afetar o fluxo de caixa das processadoras de Santa Catarina. A duração das restrições comerciais, especialmente nos mercados da China e da Arábia Saudita, como o principal fator de risco para o setor. O redirecionamento de parte da produção de Santa Catarina para o mercado doméstico pode aumentar a oferta e pressionar as cotações no atacado, sobretudo no primeiro trimestre de 2027, período marcado por enfraquecimento sazonal da demanda. Esse cenário ocorre em meio à expansão da produção nacional, estimada pelo Itaú BBA em 6% em 2026, o que pode ampliar a pressão sobre os preços caso as restrições comerciais persistam. Santa Catarina responde por 22,5% do volume e 25% da receita das exportações brasileiras de carne de frango. Em 2025, o Estado embarcou 1,2 milhão de toneladas, com receita de US$ 2,45 bilhões.

Como aproximadamente 63% da produção catarinense é destinada ao mercado externo, a atividade local apresenta maior exposição às suspensões e limitações impostas pelos países importadores. As medidas comerciais adotadas em resposta ao foco sanitário apresentam diferenças entre os destinos. China, Arábia Saudita e Chile restringiram as importações provenientes de Santa Catarina, enquanto México e Malásia suspenderam as compras de carne de frango de todo o Brasil. Entre janeiro e setembro de 2026, a China respondeu por cerca de 10% das exportações brasileiras do produto, enquanto a Arábia Saudita, terceiro maior destino, absorveu aproximadamente 8% dos embarques. A decisão imediata da China de regionalizar as restrições, limitando-as a Santa Catarina, torna o cenário mais favorável do que o observado em 2024 e 2025. A normalização sanitária, entretanto, não assegura a reabertura imediata dos mercados. Após episódios anteriores, o Rio Grande do Sul permaneceu cerca de 18 meses fora do mercado chinês, considerando as restrições relacionadas à Doença de Newcastle e à gripe aviária.

No curto prazo, as empresas com maior concentração de operações em Santa Catarina estão mais expostas aos efeitos econômicos do episódio. Entre os possíveis impactos estão o aumento dos estoques, a elevação dos custos de armazenagem e logística e a necessidade de redirecionar vendas para mercados com menor remuneração. Companhias com unidades produtivas no Paraná e no Rio Grande do Sul apresentam maior capacidade de compensar parte desses efeitos por meio da distribuição da produção entre diferentes localidades. O foco foi confirmado pelo Ministério da Agricultura em 18 de outubro, em uma granja comercial com 6.526 perus, dos quais 26 apresentaram casos da doença, sem registro de mortes. A detecção ocorreu por meio da vigilância ativa do sistema sanitário brasileiro. A ausência de novos focos e o avanço das negociações para a reabertura dos mercados serão determinantes para limitar os impactos econômicos e comerciais sobre a cadeia de proteína animal. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.