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23/Oct/2026

Frango: regionalização limita impacto na exportação

A regionalização das restrições comerciais após a confirmação de um foco da Doença de Newcastle em Santa Catarina limita a exposição das exportações brasileiras de carne de frango a embargos internacionais. De janeiro a setembro de 2026, o Brasil exportou US$ 2,13 bilhões do produto para China, Arábia Saudita e Chile, dos quais US$ 493,9 milhões tiveram origem em Santa Catarina. Caso os três países tivessem suspendido as compras de todo o território nacional, as vendas provenientes dos demais Estados, que somaram US$ 1,63 bilhão em nove meses, ou cerca de US$ 181 milhões mensais, também estariam potencialmente sujeitas às restrições. Até 21 de outubro, cinco países haviam anunciado suspensões após a confirmação do foco em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no oeste catarinense. China, Arábia Saudita e Chile limitaram as medidas a Santa Catarina, enquanto Malásia e México suspenderam as importações de todo o Brasil.

Entre janeiro e setembro, as exportações brasileiras de carne de frango para Malásia e México totalizaram US$ 385,3 milhões. No mesmo período, Santa Catarina embarcou US$ 493,9 milhões do produto para China, Arábia Saudita e Chile. Somados, os valores associados aos mercados que adotaram restrições chegam a US$ 879,2 milhões. Santa Catarina respondeu por cerca de um quarto da receita brasileira com exportações de carne de frango nos primeiros nove meses de 2026, com US$ 2,09 bilhões, ante US$ 8,51 bilhões do País. A concentração das restrições no Estado mantém a maior parte da receita nacional vinculada às demais unidades da Federação fora do alcance dos embargos regionais. A regionalização, contudo, não elimina a exposição dos frigoríficos nem o risco de novas barreiras sanitárias caso sejam identificados outros focos da doença. A rapidez da delimitação chinesa foi considerada favorável à indústria avícola brasileira.

Em 2024, após a confirmação de um foco de Newcastle no Rio Grande do Sul, a China levou 26 dias para restringir inicialmente as importações de todo o Brasil e delimitar o embargo. Desta vez, a restrição foi limitada a Santa Catarina em cerca de 24 horas. Com isso, outros 47 estabelecimentos brasileiros habilitados mantiveram acesso ao mercado chinês, enquanto 14 frigoríficos catarinenses foram afetados. O episódio reforça a possibilidade de que uma ocorrência sanitária localizada não resulte necessariamente no fechamento de todo o setor avícola brasileiro para a China. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) atribuiu o alcance limitado de parte das suspensões à preparação prévia do setor e à rapidez na comunicação às autoridades. A entidade considera que esses fatores contribuíram para conter a abrangência inicial das medidas e espera agilidade nas negociações para preservar e restabelecer os fluxos comerciais.

A manutenção do acesso a determinados mercados, entretanto, não assegura a preservação integral da receita das empresas afetadas. A Genial Investimentos estimou que uma suspensão chinesa de seis meses poderia reduzir em R$ 420 milhões o resultado da MBRF. A companhia apresenta a maior exposição entre as empresas de proteínas listadas na Bolsa brasileira. A diversificação geográfica e de produtos da JBS, por sua vez, tende a proporcionar maior capacidade de absorção das perdas. Um dos principais desafios está no redirecionamento de cortes e partes de aves que atendem a demandas específicas da China e nem sempre encontram compradores em outros mercados nas mesmas condições comerciais. A dificuldade de realocar os produtos sem reduzir os preços pode comprometer a receita e as margens das empresas, uma vez que o mercado interno nem sempre absorve os volumes destinados originalmente à exportação pelo mesmo valor.

O J.P. Morgan estima que as restrições possam atingir de 10% a 20% das exportações de carne de frango da JBS/Seara e da MBRF. A flexibilidade comercial das companhias pode amortecer parte das perdas, mas o impacto efetivo dependerá da duração dos embargos e da capacidade de encontrar destinos alternativos sem comprometer preços e margens. A experiência de 2024 indica que os embarques brasileiros podem se recuperar após uma interrupção, embora os efeitos variem conforme o mercado e a empresa. Naquele ano, as exportações nacionais de carne de frango recuaram cerca de 100 mil toneladas no mês das restrições. Em agosto, os embarques totais diminuíram 11% em relação ao mesmo mês de 2023, enquanto as vendas à China caíram 69%. No terceiro trimestre, porém, o volume total exportado pelo Brasil cresceu 5% na comparação anual. O embargo chinês ao Rio Grande do Sul permaneceu até janeiro de 2026, e oito plantas ficaram impedidas de exportar ao país asiático por cerca de 18 meses.

O precedente demonstra que a regionalização pode limitar o alcance geográfico das restrições, mas não garante a retomada imediata das vendas de todas as unidades afetadas. O foco em Nova Itaberaba levou à interdição da propriedade e à adoção de medidas sanitárias. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) declarou emergência zoossanitária por 60 dias em quatro municípios, abrangendo 133 propriedades produtoras. Caso não sejam identificados novos focos, o Brasil poderá recuperar o status de livre da doença após 90 dias, conforme as regras da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Até a recuperação desse status, a evolução das negociações sanitárias e a contenção do foco serão determinantes para evitar novas restrições. Para as empresas exportadoras, além da abrangência territorial dos embargos, os efeitos econômicos dependerão do tempo de fechamento dos mercados e das condições comerciais obtidas para redirecionar os produtos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.