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22/Oct/2026

Frango: Brasil negocia flexibilização de embargos

A decisão da China de restringir a suspensão das importações de produtos avícolas brasileiros a embarques provenientes de Santa Catarina reduz o impacto comercial dos embargos temporários adotados após a confirmação de um foco da Doença de Newcastle em Nova Itaberaba, no oeste catarinense. Em 2025, o Estado respondeu por aproximadamente 19% das exportações brasileiras de carne de aves para o mercado chinês, preservando-se, com a limitação geográfica da medida, o acesso dos demais Estados, responsáveis pelos outros 81% dos embarques. A China é o principal destino externo dos produtos avícolas brasileiros. Santa Catarina exportou US$ 114,730 milhões em carne de frango, peru, pato e ganso para o país asiático em 2025, totalizando 53,657 mil toneladas, conforme dados do Agrostat, sistema de estatísticas de comércio exterior do agronegócio do Ministério da Agricultura. No mesmo período, as exportações brasileiras desses produtos para a China somaram US$ 599,969 milhões e 247,942 mil toneladas.

A participação catarinense correspondeu, portanto, a cerca de 19% da receita e do volume exportado pelo Brasil ao mercado chinês. O protocolo sanitário bilateral estabelece a suspensão das exportações de todo o território nacional em casos de zoonoses. Inicialmente, o Ministério da Agricultura suspendeu cautelarmente a certificação dos embarques de produtos avícolas de todo o Brasil para a China, em cumprimento às regras acordadas entre os países. A medida foi comunicada na noite anterior, por meio de ofício circular do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), vinculado à Secretaria de Defesa Agropecuária, aos frigoríficos exportadores e aos Serviços de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoas). Posteriormente, a Administração Geral de Alfândegas da China (GACC, na sigla em inglês) comunicou ao Ministério da Agricultura e aos importadores que a restrição seria limitada a Santa Catarina.

A Pasta brasileira ajustou a suspensão e informou os exportadores sobre a mudança. A flexibilização foi atribuída ao fortalecimento das relações comerciais e da confiança bilateral, após o Brasil solicitar que o embargo fosse delimitado aos quatro municípios catarinenses em situação de emergência zoossanitária. O foco da Doença de Newcastle foi confirmado pelo Ministério da Agricultura em um criadouro comercial com cerca de 6 mil aves. O controle está sob responsabilidade do serviço veterinário oficial, conforme os procedimentos previstos no Plano de Contingência de Influenza Aviária e Doença de Newcastle. As medidas incluem restrições às propriedades próximas à granja afetada e a suspensão da saída de aves do estabelecimento onde a ocorrência foi identificada. A emergência zoossanitária foi declarada em Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. O Brasil também pretende negociar a flexibilização das restrições com os demais mercados importadores.

O México suspendeu as compras de produtos avícolas de todo o território nacional, enquanto parte dos outros destinos já limitou as medidas às áreas próximas ao foco. A estratégia brasileira é reduzir o alcance dos embargos durante o período de 90 dias previsto para que o País volte a se declarar livre da doença. Todos os países parceiros foram comunicados sobre a ocorrência, assim como a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). De acordo com o levantamento do Ministério da Agricultura, até o momento, apenas o México havia suspendido as importações de produtos provenientes de todo o Brasil. A restrição mexicana abrange aves vivas, carne e miúdos de aves, ovos férteis, pintinhos de até três dias, aves canoras, ornamentais e de rapina destinadas à comercialização, além de aves de companhia. Para a China e o Chile, as suspensões estão limitadas aos produtos originários de Santa Catarina. A Doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres, provocando sinais respiratórios seguidos de manifestações neurológicas.

Após a confirmação do foco, o estabelecimento avícola foi interditado e as aves serão eliminadas. A origem da infecção ainda não foi identificada. O Ministério da Agricultura esclarece que o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção do Serviço Veterinário Oficial (SVO) permanece seguro e sem contraindicações. O episódio representa o segundo registro da doença em produção avícola comercial no Brasil. O primeiro ocorreu em 17 de julho de 2024, em um estabelecimento de avicultura comercial de corte em Anta Gorda, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, o foco foi controlado em menos de dez dias, com a conclusão do caso notificada em 25 de julho daquele ano. A evolução das negociações sanitárias será determinante para dimensionar os efeitos comerciais do episódio. A limitação das restrições por parte da China reduz a exposição das exportações brasileiras, enquanto a flexibilização dos embargos nos demais destinos, especialmente no México, será importante para minimizar eventuais perdas e preservar o acesso da avicultura nacional aos mercados internacionais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.