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22/Oct/2026

Frango: China e México restringem importação do Brasil

A suspensão das importações de produtos avícolas anunciada pelo México e pela China após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de Santa Catarina coloca sob risco potencial mercados que responderam por quase US$ 707 milhões em exportações brasileiras de carne de frango em 2025. O montante corresponde a 7,4% da receita obtida pelo Brasil com os embarques do produto no período. Em volume, as exportações destinadas aos dois mercados somaram 296,5 mil toneladas, equivalentes a 5,7% do total brasileiro. A exposição comercial varia conforme o alcance geográfico das restrições.

O México suspendeu as importações de produtos avícolas provenientes de todo o Brasil, enquanto a China limitou as compras originárias de Santa Catarina, Estado que concentra importantes unidades exportadoras de carne de frango. O mercado mexicano respondeu por US$ 592,1 milhões em receita e 242,8 mil toneladas em embarques brasileiros de carne de frango em 2025. Os valores representaram, respectivamente, 6,2% da receita e 4,7% do volume total exportado pelo País. A abrangência nacional da medida mexicana amplia o potencial de impacto sobre a cadeia avícola brasileira, especialmente se a suspensão permanecer em vigor por período prolongado. A restrição também interrompe o acesso a um mercado que ampliou sua importância para a avicultura brasileira nos últimos anos.

Dados da Agência Nacional de Aduanas do México, divulgados pela União Nacional de Avicultores mexicana, mostram que as importações de peito de frango desossado brasileiro passaram de 90 mil toneladas em 2022 para 196 mil toneladas em 2025, mais que dobrando em três anos. No mercado chinês, as exportações de carne de frango de Santa Catarina totalizaram US$ 114,7 milhões e 53,7 mil toneladas em 2025, correspondentes a 1,2% da receita e 1,0% do volume total exportado pelo Brasil. Embora a participação seja menor em comparação à exposição ao mercado mexicano, a restrição afeta um destino estratégico para a indústria brasileira de proteína animal, uma vez que a China é o principal mercado externo da carne de frango do País. Inicialmente, o Ministério da Agricultura comunicou aos exportadores uma suspensão cautelar que abrangia os embarques brasileiros de carne de frango para a China, em cumprimento ao protocolo sanitário bilateral.

Posteriormente, a autoridade chinesa delimitou a restrição aos produtos originários de Santa Catarina, reduzindo o alcance geográfico da medida. Os valores registrados em 2025 representam uma referência para dimensionar a exposição comercial, mas não correspondem necessariamente a receitas que serão perdidas. O impacto efetivo dependerá da duração das restrições, do prazo para a retomada das habilitações sanitárias, das negociações entre as autoridades dos países envolvidos e da capacidade de redirecionamento da produção para outros destinos. A diversificação dos mercados pode atenuar os efeitos comerciais, mas não assegura a preservação integral das receitas nem das condições comerciais originalmente previstas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.