21/Oct/2026
A decisão da China de restringir as importações de produtos avícolas provenientes apenas de Santa Catarina, após a confirmação de um caso de doença de Newcastle no Estado, representa um avanço para a indústria brasileira de aves e reduz os riscos de impacto sobre as exportações, especialmente para a MBRF. A rapidez da medida, anunciada em cerca de 24 horas, ante os 26 dias necessários para que Pequim limitasse o alcance de um embargo nacional após um episódio semelhante em 2024. Com a regionalização da restrição, 47 dos 61 estabelecimentos brasileiros habilitados a exportar para a China permanecem autorizados a realizar embarques, enquanto 14 unidades localizadas em Santa Catarina são afetadas.
Para o Citi, a decisão representa uma conquista na busca histórica do Brasil pelo reconhecimento do princípio de regionalização sanitária, além de sinalizar uma mudança relevante na resposta do principal mercado externo da carne de frango brasileira a ocorrências sanitárias. A medida também reconhece os investimentos do País em vigilância, controle de doenças e negociações bilaterais. Durante o foco de doença de Newcastle registrado no Rio Grande do Sul em 2024, a China suspendeu inicialmente as importações de todo o Brasil e levou 26 dias para limitar o embargo ao Estado afetado. Em 2025, após um caso de Influenza Aviária, a suspensão nacional das compras chinesas durou quase seis meses. Nesse contexto, a resposta mais rápida e regionalizada ao episódio em Santa Catarina constitui um precedente relevante para o comércio exterior brasileiro de produtos avícolas.
Apesar do avanço, o impacto potencial da restrição permanece significativo. Santa Catarina respondeu por cerca de 23% do volume e 25% da receita das exportações brasileiras de carne de frango nos primeiros cinco meses de 2026. A China, por sua vez, representou aproximadamente 10% dos embarques brasileiros do produto nos nove primeiros meses deste ano. A manutenção do acesso ao mercado chinês para os estabelecimentos situados fora de Santa Catarina, contudo, limita o risco de interrupções mais amplas no comércio exterior e reduz a possibilidade de que um evento sanitário localizado resulte no fechamento de toda a indústria avícola brasileira para o país asiático.
A decisão é considerada particularmente positiva para a MBRF, devido à exposição da companhia às exportações brasileiras de carne de frango. Historicamente, suspensões de mercados por questões sanitárias elevam o risco de excesso de oferta no mercado doméstico, pressionando os preços das aves e as margens das empresas do setor. O impacto financeiro imediato das restrições dependerá, entretanto, da duração das medidas aplicadas a Santa Catarina e da capacidade das companhias de redirecionar os volumes afetados para outros destinos. O principal benefício da regionalização é estrutural, pois reduz a vulnerabilidade da indústria avícola brasileira a futuros episódios sanitários e o risco de que focos localizados provoquem restrições comerciais em escala nacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.