21/Oct/2026
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defende a negociação com os mercados importadores para regionalizar as restrições às exportações de produtos avícolas após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina. A estratégia busca minimizar os impactos comerciais da ocorrência, considerada isolada pela entidade, e evitar que as suspensões de compras se estendam a todo o território nacional. Santa Catarina é o principal Estado exportador de carne de peru do Brasil. Em 2025, os embarques estaduais somaram 29,5 mil toneladas, equivalentes a 44,8% do volume nacional. Na carne de frango, o Estado ocupa a segunda posição, com exportações de 1,20 milhão de toneladas, correspondentes a 23,3% do total brasileiro, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A receita estadual com as exportações de carne de aves alcançou US$ 2,1 bilhões no ano passado, equivalente a US$ 5,7 milhões por dia. Após a confirmação do foco, o Brasil adotou preventivamente a suspensão das exportações de carne de aves e seus produtos, por meio do mecanismo de autoembargo, em conformidade com os requisitos dos certificados sanitários internacionais. A abrangência das restrições depende dos acordos bilaterais e pode envolver todo o território nacional, apenas o Estado afetado ou uma área delimitada por um raio a partir do foco identificado. A CNA utiliza como referência o episódio de 2024, quando a confirmação de Newcastle em uma granja comercial de frangos no Rio Grande do Sul provocou respostas distintas entre os parceiros comerciais.
Argentina, China e México suspenderam as importações de carne de frango de todo o Brasil. Arábia Saudita, Chile e União Europeia restringiram as compras ao Estado afetado, enquanto Japão, Coreia do Sul e África do Sul limitaram os embarques provenientes de um raio de 50 quilômetros do foco. Diante do caso em Santa Catarina, a estratégia é demonstrar aos mercados importadores que a ocorrência está circunscrita e negociar a adoção de medidas regionalizadas. A extensão e a duração dos embargos dependerão das exigências sanitárias e dos protocolos estabelecidos por cada destino, com o objetivo de preservar os fluxos comerciais das regiões não afetadas. A confederação também manifesta confiança no sistema brasileiro de defesa agropecuária e na capacidade das autoridades de conter e erradicar o vírus.
A identificação do foco ocorreu durante uma investigação epidemiológica de rotina conduzida pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina, após a coleta de amostras na propriedade no fim de setembro. A confirmação foi realizada pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP), reconhecido como referência pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Desde o início de 2026, foram realizadas 324 investigações de suspeitas de síndrome respiratória em aves, tendo como doenças-alvo a influenza aviária de alta patogenicidade e a doença de Newcastle. Desde 2022, o número acumulado chega a 5.444 investigações. Após a confirmação da ocorrência, a granja foi interditada e a movimentação de animais suspensa.
As aves serão sacrificadas, seguidas de procedimentos de limpeza e desinfecção das instalações e dos equipamentos. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) também declarou estado de emergência zoossanitária por 60 dias nos municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim, por meio da Portaria nº 962/2026, publicada em 19 de outubro. As autoridades sanitárias acompanharão a situação durante o período de incubação da doença, de 21 dias. Caso não sejam identificados novos focos, o Brasil poderá recuperar o status de livre da doença de Newcastle após 90 dias, conforme as regras da OMSA. A ocorrência envolve sanidade animal e não compromete a segurança dos alimentos.
Produtos avícolas inspecionados pelo Serviço Veterinário Oficial, incluindo carne de aves, ovos e outros derivados, permanecem seguros para consumo, sem contraindicações para a população. A CNA recomenda ainda o reforço das medidas de biosseguridade nas granjas, incluindo controle de acesso de pessoas, uso de roupas e calçados exclusivos, limpeza e desinfecção de instalações, equipamentos e veículos, manutenção das telas dos aviários e controle de pragas. Suspeitas de doença envolvendo sinais respiratórios ou neurológicos, assim como mortalidade elevada e súbita, devem ser comunicadas imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.