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21/Oct/2026

Frango: impacto limitado da Newcastle na exportação

O Bank of America (BofA) avalia que o caso de Doença de Newcastle confirmado em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba (SC) deve ter impacto limitado sobre as exportações brasileiras de proteínas e os resultados de JBS e MBRF, desde que o foco permaneça isolado e as restrições comerciais não sejam ampliadas nem prolongadas. Em relatório, a instituição utiliza como referência o episódio registrado no Rio Grande do Sul em 2024, quando os principais compradores adotaram restrições regionalizadas e as empresas conseguiram redirecionar embarques para outros mercados. A flexibilidade comercial e operacional da Seara, controlada pela JBS, e da MBRF pode reduzir eventuais perdas decorrentes de suspensões de compras de produtos originários de Santa Catarina. A capacidade de reorganizar os fluxos de exportação é considerada um fator relevante para amortecer os efeitos de restrições sanitárias concentradas em determinadas regiões.

O Ministério da Agricultura confirmou o foco em uma granja comercial de perus no município e ampliou as medidas de controle para quatro municípios do oeste de Santa Catarina, abrangendo 133 propriedades produtoras. Ainda é cedo para dimensionar o risco de disseminação da doença. A reação dos países compradores e os efeitos sobre os embarques são os principais fatores a acompanhar. O surto registrado no Rio Grande do Sul, em julho de 2024, oferece um precedente para avaliar os possíveis desdobramentos comerciais. Naquele episódio, a China retomou as importações de produtos brasileiros, com exceção daqueles provenientes do Rio Grande do Sul, 26 dias após a suspensão inicial. O México regionalizou o embargo após aproximadamente três semanas. União Europeia, Japão e Reino Unido também adotaram restrições regionais, sem suspender as compras de todo o Brasil. Apesar da regionalização das medidas, os efeitos sobre o comércio foram perceptíveis.

As exportações brasileiras de carne de frango recuaram 11% em agosto de 2024 ante igual mês de 2023, enquanto os embarques para a China diminuíram 69%. No terceiro trimestre de 2024, contudo, o volume total exportado pelo Brasil cresceu 5% na comparação anual, embora tenha registrado queda de 3% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Os preços permaneceram resilientes no período. O episódio demonstra que restrições sanitárias podem provocar dificuldades logísticas e afetar rotas comerciais específicas, mas não necessariamente comprometem de forma significativa o desempenho das companhias quando o foco permanece controlado. A capacidade de redirecionar embarques e reorganizar operações deve ajudar as empresas a absorver eventuais interrupções comerciais. Na ausência de novos focos, a experiência de 2024 sugere que um surto contido tende a ter efeitos limitados sobre as exportações brasileiras, a oferta global de carne de frango e os preços das aves. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.