21/Oct/2026
Segundo estimativa da Genial Investimentos, a suspensão das importações de produtos avícolas de Santa Catarina pela China pode reduzir em aproximadamente R$ 420 milhões o resultado da MBRF caso a restrição se prolongue por seis meses. O impacto equivale a cerca de R$ 0,20 por ação. A projeção considera um cenário de manutenção do veto durante esse período e poderá mudar conforme a duração da medida e a capacidade de redirecionamento da produção para outros mercados. A China suspendeu as compras de carne de aves e demais produtos avícolas provenientes de Santa Catarina após a confirmação de um caso de Doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no oeste catarinense. A restrição é válida para embarques desde 19 de outubro e retirou temporariamente a habilitação de 14 frigoríficos do Estado para exportar ao mercado chinês, dos quais três pertencem à MBRF.
A MBRF é a companhia de proteínas listada na Bolsa brasileira com maior exposição ao episódio. A JBS apresenta maior diversificação geográfica e de proteínas, o que tende a reduzir sua vulnerabilidade a restrições concentradas em um mercado e em uma categoria de produtos. A Minerva, com atuação concentrada em carne bovina, não possui exposição direta ao veto sobre produtos avícolas e pode se beneficiar de uma eventual migração de investidores interessados em manter posições no setor de proteínas. O impacto econômico tende a se concentrar inicialmente nos volumes comercializados e na receita das empresas. Parte dos produtos destinados à China não encontra demanda equivalente em outros mercados nas mesmas condições comerciais.
O país asiático remunera determinados cortes e partes de aves com preços superiores aos praticados em outros destinos, de modo que o redirecionamento dos embarques pode reduzir o preço médio realizado pelas companhias e pressionar as margens. A dificuldade de repassar integralmente ao mercado interno os preços originalmente obtidos nas exportações para a China constitui um dos principais canais de perda de receita. A necessidade de direcionar os produtos a outros compradores pode exigir ajustes comerciais, especialmente para partes de aves com demanda mais restrita fora do mercado chinês. Para estimar o efeito financeiro, a Genial utilizou como referência o episódio de 2024, quando a China impôs restrições após a identificação de um foco de Doença de Newcastle no Rio Grande do Sul. Na ocasião, o Estado permaneceu sob embargo por 18 meses.
A avaliação atual, entretanto, considera o episódio em Santa Catarina potencialmente mais localizado, uma vez que o foco foi identificado em uma única granja comercial de perus. A dimensão final das perdas dependerá da duração da suspensão e de eventuais desdobramentos sanitários. Caso a ocorrência permaneça restrita ao estabelecimento identificado, os efeitos poderão ser mais limitados. Por outro lado, uma disseminação mais ampla da doença poderá provocar consequências comerciais mais severas, a exemplo do ocorrido em 2024. A reação das ações também estará condicionada à evolução das restrições comerciais. Antes da confirmação do veto chinês, a avaliação da Genial considerava a possibilidade de recuperação parcial dos papéis caso o episódio permanecesse localizado. Com a suspensão efetivada, a duração do embargo e a capacidade de redirecionamento dos embarques passam a ser fatores centrais para dimensionar os efeitos sobre os resultados das empresas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.