21/Oct/2026
O preço do leite cru captado por laticínios e cooperativas apresentou pouca variação em agosto. Na “Média Brasil” (Goiás, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), a cotação alcançou R$ 2,8869 por litro, alta de 0,7% em relação a julho. Na comparação com agosto de 2025, o valor registrou aumento real de 9,18%, considerando os preços deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto. Apesar da estabilidade das cotações, a produção leiteira apresentou sinais mais consistentes de recuperação. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) avançou 3,86% de julho para agosto na “Média Brasil”, com destaque para a Região Sul. A demanda relativamente firme e o desempenho de parte dos derivados contribuíram para sustentar os valores pagos ao produtor, mesmo diante do aumento da disponibilidade de matéria-prima. Nos custos de produção, o Custo Operacional Efetivo (COE) aumentou 0,46% na Média Brasil em setembro, pressionado pelo encarecimento dos insumos destinados à alimentação do rebanho.
O grupo de concentrados registrou alta de 0,84%, refletindo as valorizações do milho, da soja e do farelo de soja. Esse movimento pode prolongar a pressão sobre os custos da atividade em outubro, reduzindo as margens dos produtores caso não seja compensado pela evolução dos preços recebidos. No comércio exterior, as importações brasileiras de lácteos cresceram 8,38% de agosto para setembro, totalizando 249,6 milhões de litros em equivalente-leite (EqL), conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). As exportações também avançaram, com alta de 6,05%, para 5,57 milhões de litros em EqL. Como o crescimento das importações foi mais expressivo, o déficit da balança comercial de lácteos aumentou 8,4% em relação a agosto. A entrada de produtos estrangeiros, principalmente leite em pó e queijos, amplia a disponibilidade no mercado interno e intensifica a concorrência com a produção nacional. O mercado de derivados lácteos apresentou enfraquecimento, com recuos nos preços do leite longa vida (UHT), da muçarela e do leite em pó fracionado.
A maior disponibilidade de matéria-prima, decorrente da recuperação sazonal da produção, somada ao avanço das importações, contribuiu para pressionar as cotações. Em outubro, os preços do leite UHT e da muçarela continuam em queda na Região Sudeste, com perspectiva de manutenção desse movimento diante da oferta crescente de leite cru e da demanda estável. Para os próximos meses, a tendência é de continuidade da queda dos preços pagos ao produtor. A recuperação sazonal da produção, combinada à menor sustentação do mercado de derivados e à maior disponibilidade de matéria-prima, deve manter o setor sob pressão. Mais adiante, possíveis efeitos do El Niño sobre as condições climáticas poderão limitar a expansão da oferta de leite e amenizar o ritmo de recuo das cotações, dependendo da intensidade e da distribuição regional dos impactos climáticos. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.