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20/Oct/2026

Frango: foco de Newcastle em granja de perus em SC

O Ministério da Agricultura confirmou um foco da Doença de Newcastle (DNC) em produção comercial de perus em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina. O foco foi controlado pelo serviço veterinário oficial, conforme os procedimentos previstos no Plano de Contingência de Influenza Aviária e Doença de Newcastle. A identificação do caso ocorreu no âmbito da vigilância ativa, indicando a atuação do sistema de defesa agropecuária na detecção e no controle de ocorrências sanitárias. A investigação já constava como em andamento na plataforma de acompanhamento da Síndrome Respiratória e Nervosa das Aves do Ministério da Agricultura, que registrou a coleta de material em 14 de outubro. A plataforma, entretanto, não diferencia investigações relacionadas à Influenza Aviária daquelas referentes à Doença de Newcastle. A confirmação foi realizada pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em São Paulo (LFDA-SP), reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como unidade de referência para influenza aviária e Doença de Newcastle.

Este é o segundo foco de Newcastle registrado em produção comercial no Brasil. O primeiro ocorreu em 17 de julho de 2024, em um estabelecimento de avicultura comercial de corte em Anta Gorda, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, o foco foi debelado em menos de dez dias após a confirmação, e a conclusão das ações sanitárias foi notificada em 25 de julho de 2024. As suspeitas naquele episódio estavam relacionadas à possível contaminação associada aos efeitos das enchentes registradas no Estado. A Doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres, provocando inicialmente sinais respiratórios e, posteriormente, manifestações nervosas. A doença é de notificação obrigatória à OMSA. O foco confirmado em Santa Catarina mobiliza os procedimentos previstos no protocolo sanitário brasileiro para contenção e controle da enfermidade. A ocorrência não altera a segurança dos produtos avícolas submetidos à inspeção sanitária.

A Doença de Newcastle não é transmitida pelo consumo desses produtos, que permanecem próprios para consumo e sem contraindicações relacionadas ao foco identificado. A granja comercial de perus em que foi confirmado um foco da Doença de Newcastle em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina, abriga aproximadamente 6 mil animais, e nenhuma ave saiu da propriedade, afirmou nesta segunda-feira o ministro da Agricultura, André de Paula. Segundo ele, as medidas sanitárias de suspensão das atividades da granja foram adotadas imediatamente após a confirmação do foco, no domingo (18/10). O ministro da Agricultura informou que 133 granjas localizadas na área perifocal estão sendo acompanhadas pelas equipes de defesa agropecuária. A área de restrição sanitária abrange os municípios de Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias, em Santa Catarina. A investigação começou em 21 de setembro, quando foi realizada coleta de material em uma propriedade rural em Nova Erechim, no âmbito de ações de vigilância ativa.

Em 14 de outubro, o resultado inicial das análises indicou a necessidade de investigação complementar, e novas amostras foram encaminhadas para confirmação. De Paula destacou que o foco foi identificado por meio de vigilância ativa, o que, segundo ele, demonstra a robustez do sistema sanitário brasileiro. O ministro também elogiou a rapidez e a transparência das ações adotadas pelas equipes de defesa agropecuária. "Estamos trabalhando desde o primeiro momento com toda a defesa agropecuária do Estado de Santa Catarina", afirmou. Ele acrescentou que conversou com o governador de Santa Catarina nesta segunda-feira (19/10). De acordo com o ministro, o governador já estava ciente do ocorrido e havia se reunido com sua equipe para tratar do caso. O ministro ressaltou ainda que o consumo de carne de aves inspecionada segue sem contraindicações e não traz nenhum risco às pessoas. O Ministério da Agricultura ainda não identificou a origem da infecção pelo vírus da doença de Newcastle em Santa Catarina.

O agente infeccioso já circula no Brasil e em outros países, inclusive entre aves silvestres, e a investigação busca esclarecer como o vírus chegou à propriedade. Existe a circulação desse vírus no território nacional, em aves silvestres. Em algum momento esse vírus atingiu essas aves. A investigação inclui visitas à propriedade e avaliações das condições de biosseguridade para tentar identificar a fonte de infecção. Até o momento, não é possível concluir como o vírus entrou na granja. Segundo ele, a investigação poderá identificar a origem da contaminação, mas isso não altera os procedimentos sanitários necessários para a eliminação do foco. O Ministério da Agricultura também realizará visitas técnicas às 133 granjas localizadas na área de restrição, com coleta de amostras para análise laboratorial e avaliação clínica das aves. Caso sejam identificados sinais respiratórios, serão realizados exames para investigar possíveis agentes infecciosos. Sem sinais clínicos, as amostras serão analisadas para a Doença de Newcastle.

A área de restrição abrange Nova Itaberaba, Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias. Segundo Alvarenga, o raio de restrição poderá ser alterado conforme os resultados do acompanhamento epidemiológico e das avaliações sanitárias realizadas na região. O Ministério da Agricultura não prevê recolhimento de produtos avícolas em decorrência da confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus. Os produtos avícolas inspecionados são seguros para consumo, e as cerca de 6 mil aves da propriedade afetada serão sacrificadas e descartadas. As aves da propriedade afetada não apresentam sintomas clínicos e não saíram da granja, de modo que não foram destinadas à produção de carne para consumo. Produtos provenientes de outras propriedades na área de restrição, desde que submetidos à inspeção sanitária federal, estadual ou municipal, também são considerados seguros para o consumo humano.

Na granja onde o foco foi confirmado, será realizada a depopulação (procedimento que consiste no sacrifício das aves), seguida do descarte das aves e da limpeza e desinfecção das instalações. O planejamento técnico dessas operações começou nesta segunda-feira (19/10). O Ministério da Agricultura não prevê, neste momento, necessidade de orçamento adicional para as ações de defesa agropecuária relacionadas ao foco da doença de Newcastle. Os custos previstos para o monitoramento das propriedades na área de restrição estão contemplados no orçamento ordinário da Pasta. A avaliação poderá mudar conforme a evolução das medidas de controle e as necessidades identificadas durante o acompanhamento sanitário. Uma portaria específica sobre o foco de Newcastle e a declaração de emergência sanitária em quatro municípios foi publicada nesta segunda-feira (19/10). A medida abrangerá Nova Itaberaba, onde está localizada a granja afetada, além de Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias.

A emergência sanitária já está vigente no âmbito das ações de defesa agropecuária, mas a nova declaração será específica para o foco de Newcastle. O levantamento das necessidades operacionais inclui a quantidade de amostras a serem coletadas e analisadas durante o monitoramento das propriedades da região. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Associação Catarinense de Avicultura (ACAV) e o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Estado de Santa Catarina (Sindicarne-SC) informaram que acompanham com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina a ocorrência de Doença de Newcastle em um estabelecimento de produção comercial de perus em Nova Itaberaba (SC). No comunicado reforçam que "a ocorrência não apresenta manifestação clínica". "Ou seja, houve a detecção do vírus, mas não da doença nos animais confinados."

Segundo as entidades, o Brasil conta com um sistema de defesa sanitária estruturado, com protocolos de vigilância, prevenção e resposta a ocorrências dessa natureza, incluindo medidas de contenção e controle sanitário previstas na legislação vigente. "A ABPA, a ACAV e o Sindicarne-SC enfatizam que essa é uma questão de sanidade animal, restrita ao âmbito da produção, e não de segurança dos alimentos. Ou seja: não há qualquer relação ou risco no consumo do produto. Trata-se de uma ocorrência sanitária que demanda medidas no ambiente produtivo." Ainda na nota se dizem confiantes na atuação das autoridades sanitárias brasileiras e no compromisso do setor produtivo com a biosseguridade, a transparência e o cumprimento dos protocolos estabelecidos. O governo federal trabalhará em conjunto com o governo de Santa Catarina e o setor produtivo para debelar o foco da doença de Newcastle. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.