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15/Oct/2026

Boi: recuo no diferencial entre boi gordo e carcaça

A diferença entre os preços do boi gordo no estado de São Paulo e da carne bovina (carcaça casada) no atacado voltou a diminuir neste mês. Na parcial de outubro, o diferencial médio está em R$ 3,55 por arroba, com vantagem para a carne. Esse é o menor valor real desde abril de 2023, quando a diferença havia sido de R$ 1,10 por arroba (valores deflacionados pelo IGP-DI de setembro/26). Naquele período, o mercado pecuário ainda sentia os efeitos da suspensão temporária das exportações de carne bovina para a China, em um contexto de transição do ciclo pecuário e de mudanças na disponibilidade de animais para abate. Ao mesmo tempo, a demanda doméstica estava enfraquecida, limitando o escoamento da carne no mercado interno. O movimento atual está relacionado à valorização mais intensa do boi gordo em relação à carne no atacado.

A oferta restrita de bovinos prontos para abate e as dificuldades dos frigoríficos em completar as escalas têm sustentado as cotações do animal, cenário que resultou em novas altas no mercado físico. O preço médio do boi gordo em São Paulo registra alta de 6% de setembro para esta parcial de outubro, com média de R$ 373,85 por arroba. Na comparação com outubro do ano passado, a alta real é de 16% (médias deflacionadas pelo IGP-DI de setembro/26). Em São Paulo, no atacado, a média da carcaça casada bovina está em R$ 25,16 por Kg neste mês, avanços de 3,5% em relação a setembro e de 12% frente a outubro do ano passado, em termos reais. A demanda pela carne e o repasse da valorização do boi gordo aos preços no atacado contribuem para sustentar as cotações. Esse movimento de aproximação dos valores dos dois produtos evidencia mudanças na relação de preços ao longo da cadeia pecuária.

Para avaliar seus efeitos sobre a atividade frigorífica, porém, é necessário considerar também fatores como rendimento de carcaça, custos operacionais e receitas obtidas com os demais produtos do abate. Para as próximas semanas, o comportamento do mercado dependerá principalmente da disponibilidade de bovinos para abate, da evolução das escalas dos frigoríficos e da capacidade de absorção da carne pelo atacado. A demanda típica do último trimestre do ano pode contribuir para sustentar os preços, mas a continuidade das altas ainda dependerá do comportamento da oferta. Ainda, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil embarcou 61,321 mil toneladas de carne bovina in natura nos sete primeiros dias úteis de outubro, com média diária de 8,760 mil toneladas, retração de quase 40% frente à apresentada em outubro do ano passado. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.