15/Oct/2026
A lucratividade média por cabeça de gado confinado recuou 3,5% no Centro-Oeste no terceiro trimestre de 2026, para R$ 1.009,41, enquanto avançou 5,5% no Sudeste, para R$ 1.173,27, na comparação com o segundo trimestre. Os dados são do Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), da Ponta Agro. Apesar da redução dos custos de alimentação nas duas regiões, o comportamento divergente dos preços do boi gordo ampliou a diferença de rentabilidade entre os mercados. No Sudeste, o preço médio da arroba valorizou 1,5% entre julho e setembro, para R$ 347,00. No Centro-Oeste, houve recuo de 3,1%, para R$ 327,17. O custo alimentar médio caiu 3,6% nas duas regiões ante o trimestre anterior, para R$ 12,56 por cabeça por dia no Centro-Oeste e R$ 11,53 no Sudeste. Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, as reduções foram de 8,9% e 7,5%, respectivamente. O custo médio da dieta de terminação também diminuiu, com quedas de 6,7% no Centro-Oeste, para R$ 1.076,09 por tonelada de matéria seca (MS), e de 6,5% no Sudeste, para R$ 1.049,18 por tonelada de MS.
No Sudeste, o custo alimentar permaneceu pelo segundo trimestre consecutivo abaixo do registrado no Centro-Oeste. A diferença média entre os índices foi de R$ 1,03 por cabeça por dia, favorecendo a região. A dieta de terminação apresentou redução ao longo dos três meses, de R$ 1.067,19 por tonelada de MS em julho para R$ 1.034,08 em setembro, queda acumulada de 3,1%. Com esse resultado, o indicador completou sete recuos mensais consecutivos desde março. Todas as categorias de insumos analisadas no Sudeste encerraram setembro com custos inferiores aos da referência de junho a agosto. Os volumosos tiveram queda de 5,84%, os ingredientes proteicos recuaram 4,99%, os energéticos diminuíram 1,72% e a categoria de outros insumos apresentou redução de 12,67%. Entre os principais movimentos, a silagem de milho ficou 24% mais barata, atingindo o menor preço do ano. O caroço de algodão recuou 15,7%, também alcançando o menor patamar anual em setembro, enquanto o bagaço de cana-de-açúcar registrou queda de 8,8%.
Pelo lado da receita, a arroba atingiu R$ 356,00 em setembro, maior cotação da série histórica do indicador para o Sudeste. A relação de troca entre o ICAP e o boi gordo chegou a 30,77 dias de alimentação por arroba, superando pela primeira vez a marca de 30 dias na região. No Centro-Oeste, a relação terminou setembro em 26,30 dias. A lucratividade média por cabeça associada à arroba produzida no Sudeste aumentou ao longo do trimestre, de R$ 1.145,71 em julho para R$ 1.163,88 em agosto e R$ 1.210,21 em setembro. A combinação de custos alimentares menores e valorização do boi gordo contribuiu para sustentar a rentabilidade dos confinamentos na região. No Centro-Oeste, a dieta de terminação apresentou maior volatilidade durante o terceiro trimestre. O custo passou de R$ 1.116,99 por tonelada de MS em julho para R$ 1.022,62 em agosto, mas voltou a subir para R$ 1.088,66 em setembro. Apesar da recuperação no último mês, a redução acumulada entre julho e setembro foi de 2,54%.
A principal pressão de baixa sobre os custos da dieta no Centro-Oeste veio dos ingredientes proteicos, que recuaram 18,51% em relação à referência de junho a agosto. O DDG (grãos secos de destilaria), o caroço de algodão e o farelo de algodão registraram preços de R$ 937,95, R$ 942,40 e R$ 796,90 por tonelada, respectivamente, os menores do ano. Em sentido contrário, os volumosos tiveram alta de 27,67%, principal pressão de elevação entre as categorias analisadas. Os ingredientes energéticos avançaram 0,66%, enquanto outros insumos registraram aumento de 15,66%. O milho em grão seco também pressionou os custos no Centro-Oeste. O preço passou de R$ 770,10 por tonelada em julho para R$ 830,15 em setembro, após aumentos nos dois meses seguintes. Além disso, o consumo médio de matéria seca pelos animais aumentou de 9,40 quilos por dia no segundo trimestre para 9,92 quilos no terceiro, elevando a quantidade de alimento utilizada por cabeça.
No mercado do boi gordo, a arroba no Centro-Oeste recuou para R$ 321,50 em julho, menor cotação desde janeiro, e se recuperou para R$ 333,50 em setembro. A média trimestral, entretanto, ficou em R$ 327,17, abaixo dos R$ 337,50 registrados entre abril e junho. A lucratividade média por cabeça associada à arroba produzida caiu de R$ 1.138,30 em julho para R$ 906,75 em setembro. No mesmo período, o custo da arroba produzida aumentou de R$ 180,62 para R$ 224,52. Os resultados do terceiro trimestre evidenciam diferenças regionais na dinâmica econômica do confinamento. No Sudeste, a redução dos custos alimentares, combinada com a valorização da arroba, favoreceu a rentabilidade. No Centro-Oeste, a queda do preço do boi gordo e a maior volatilidade de componentes da dieta limitaram o benefício proporcionado pelo recuo do custo alimentar médio, resultando em redução da lucratividade por cabeça. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.