15/Oct/2026
Segundo relatório da Ponta Agro, a evolução dos custos da alimentação, especialmente do milho e do bagaço de cana-de-açúcar, está entre os principais fatores de atenção para a rentabilidade dos confinamentos bovinos no quarto trimestre de 2026. No Centro-Oeste, o milho acumulou alta entre julho e setembro, enquanto a aproximação do fim da moagem da safra canavieira 2026/27 pode reduzir a disponibilidade de bagaço e exigir ajustes na composição das dietas dos bovinos. No Centro-Oeste, o preço do milho passou de R$ 770,10 por tonelada em julho para R$ 830,15 por tonelada em setembro. A continuidade desse movimento poderá elevar os custos dos ingredientes energéticos à medida que os estoques forem renovados e as dietas reformuladas. No Sudeste, o cereal encerrou setembro praticamente estável, cotado a R$ 1.061,50 por tonelada, indicando diferenças regionais no comportamento dos preços desse insumo.
A disponibilidade de bagaço de cana-de-açúcar também deverá influenciar o planejamento alimentar dos confinamentos. Com o avanço para o fim da moagem da safra 2026/27, uma eventual redução da oferta do subproduto poderá exigir sua substituição por outros ingredientes. O momento e o custo dessa transição dependerão dos estoques disponíveis, dos contratos de fornecimento e dos calendários operacionais das usinas, fatores que poderão afetar a composição e o custo das dietas no encerramento do ano. No Centro-Oeste, a evolução dos custos dos volumosos, categoria que reúne alimentos fibrosos utilizados na alimentação dos bovinos, reforça a necessidade de acompanhamento dos preços e das características nutricionais dos ingredientes. O custo desses componentes, calculado com base na matéria seca, aumentou ao longo do terceiro trimestre. Nesse contexto, os teores de matéria seca e a composição das dietas ganham relevância para a gestão da alimentação e para a avaliação de alternativas de substituição entre ingredientes.
Pelo lado da receita, o Sudeste encerrou setembro com a maior cotação da arroba registrada na série histórica considerada pelo indicador da Ponta Agro, enquanto o Centro-Oeste apresentou recuperação dos preços no fim do trimestre. Entretanto, os dados disponíveis não permitem atribuir essas oscilações a um único fator nem estabelecer uma trajetória definida para o quarto trimestre. A rentabilidade dependerá da combinação entre os preços de venda dos animais terminados e a evolução dos custos operacionais. O preço do boi magro, utilizado na reposição dos animais destinados à engorda, permanece como outra variável relevante para a margem dos confinamentos. Sua avaliação deve considerar conjuntamente os custos da alimentação, o desempenho produtivo dos animais e o preço de venda do boi gordo terminado. A combinação desses fatores determinará a capacidade de manutenção das margens em um cenário de possíveis alterações nos preços dos insumos e na disponibilidade de ingredientes utilizados nas dietas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.