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15/Oct/2026

Suíno: produção brasileira deve crescer em 2026

Segundo projeções do Itaú BBA, a produção brasileira de carne suína deve crescer 5% em 2026, para 6 milhões de toneladas, enquanto as exportações tendem a avançar 4%, para 1,5 milhão de toneladas. Apesar da recuperação recente dos preços do suíno vivo e da meia carcaça, a atividade deve encerrar o ano com margens pressionadas pela diferença entre os preços de venda e os custos de produção. Em 2027, a expansão da oferta nacional e os riscos de encarecimento da alimentação animal poderão dificultar a recuperação da rentabilidade. O consumo doméstico de carne suína deve aumentar 6,7% em 2026. Para 2027, entretanto, a recomendação é de atenção à concorrência internacional, diante da expectativa de redução das importações do Japão e da Coreia do Sul após a formação de estoques em 2026.

A possível retração das compras desses mercados poderá intensificar a disputa entre os países exportadores por destinos alternativos, aumentando os desafios para o escoamento da produção brasileira. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção brasileira de carne suína deve crescer 2,8% em 2027. No mercado global, a oferta tende a recuar, principalmente em razão da redução de 2,2% da produção chinesa, equivalente a 1,33 milhão de toneladas. A China atravessa um processo de ajuste do rebanho, influenciado por medidas governamentais e pela rentabilidade insatisfatória da atividade. Em 2026, o país também acelerou os abates para reduzir estoques, ampliando a disponibilidade de carne e pressionando as cotações internas.

Mesmo com a retração projetada para a produção chinesa, o ambiente internacional deverá permanecer competitivo para os exportadores brasileiros. A combinação entre menor demanda de compradores asiáticos e crescimento da oferta nacional poderá limitar o avanço das exportações e dificultar a recomposição das margens, especialmente se os preços externos não acompanharem a evolução dos custos de produção. Após meses de queda, os preços do suíno vivo e da meia carcaça reagiram entre o fim de agosto e outubro. A recuperação, contudo, ainda não foi suficiente para restabelecer a rentabilidade dos produtores. Em setembro, a alta média das cotações ficou abaixo do aumento dos custos de produção, resultando em prejuízo de R$ 207,00 por suíno terminado.

Na parcial de outubro, o spread da suinocultura, ainda negativo, melhorou de -36% para -14%, acompanhando a recuperação dos preços. Os custos elevados, entretanto, continuam limitando a recomposição das margens. A relação entre os preços da meia carcaça suína e do frango abatido também indica espaço para valorização adicional da carne suína no mercado doméstico, uma vez que o produto permanece relativamente descontado em relação à proteína concorrente, mesmo após a alta recente. Pelo lado da oferta, os dados de abate de agosto indicaram crescimento de 7% em relação ao mesmo mês de 2025. Em contrapartida, informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam disponibilidade mais restrita de suínos para abate no início de outubro.

Essa redução pontual da oferta pode contribuir para sustentar as cotações no curto prazo, embora não elimine a pressão estrutural exercida pelos custos de produção. No mercado externo, a combinação de queda nos preços de exportação e aumento dos custos reduziu o spread das vendas internacionais de 33% em agosto para 28% em setembro. O indicador ficou abaixo da média histórica de 35% para setembro, considerando os últimos cinco anos, e distante dos 43% registrados no mesmo mês de 2025. O desempenho reforça as dificuldades para preservar a rentabilidade das exportações em um ambiente de maior concorrência e custos elevados. Outro fator de risco é a possibilidade de ocorrência de um El Niño forte, com eventuais impactos sobre a produtividade do milho 2ª safra de 2027.

Uma redução da oferta do cereal pode elevar os custos da alimentação animal, componente relevante das despesas da suinocultura, ampliando a pressão sobre as margens em 2027. O risco é especialmente importante para os produtores independentes, mais expostos às oscilações dos preços dos insumos e do suíno vivo. O setor deve combinar crescimento da produção e das exportações em 2026 com rentabilidade ainda comprometida. Para 2027, a evolução da demanda internacional, a capacidade de repasse dos custos aos preços de venda e as condições climáticas que influenciam a oferta de milho serão determinantes para a recuperação das margens da suinocultura brasileira. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.