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15/Oct/2026

Leite: chuvas no RS elevam custos e reduzem margem

A Associação de Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) alerta para o risco de aumento dos custos de produção e novas quedas no preço do leite pago ao produtor nos próximos meses. O excesso de chuvas no Estado dificulta a formação de pastagens e a produção de alimentos para o rebanho, com potencial de elevar as despesas em um momento de recuo do preço de referência da matéria-prima apurado pelo Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul (Conseleite). A redução recente do preço de referência do leite contrariou a expectativa de relativa estabilidade das cotações até o fim do ano. A possibilidade de novas quedas, especialmente se acompanhadas de aumento dos custos de alimentação dos animais, amplia a incerteza sobre a rentabilidade da atividade e a capacidade financeira dos produtores. As condições climáticas adversas prejudicam o preparo das lavouras, restringem a entrada de máquinas no campo e atrasam o plantio do milho destinado à produção de silagem.

O excesso de umidade também afeta a produção de feno, comprometendo o planejamento alimentar dos animais e podendo exigir ajustes na estratégia de fornecimento de volumosos ao rebanho. Essas dificuldades podem pressionar os custos justamente em uma fase de redução da remuneração pelo leite. A combinação de despesas maiores e preços menores ameaça as margens da pecuária leiteira e pode limitar a manutenção de investimentos em tecnologia, genética e infraestrutura. A redução da capacidade de investimento tende a afetar a eficiência produtiva e o desenvolvimento dos sistemas de produção, sobretudo em propriedades mais expostas à volatilidade dos preços e dos custos dos insumos. Outro fator de preocupação é o horizonte de planejamento da atividade. A formação e a recomposição do rebanho exigem tempo e recursos, o que restringe a capacidade de resposta dos produtores às mudanças de mercado.

A saída de pecuaristas da atividade pode dificultar uma eventual retomada da produção, em razão dos custos e do período necessário para recompor as vacas e restabelecer a capacidade produtiva. Apesar das pressões no mercado doméstico, a Gadolando identifica sinais no cenário internacional que podem contribuir para maior estabilidade das cotações. Um ambiente de menor volatilidade favoreceria o planejamento da produção e dos investimentos, embora a evolução do mercado dependa também da relação entre oferta, demanda e custos de produção. A entidade também voltou a questionar a entrada de produtos lácteos importados no Brasil e cobrou providências do governo federal contra o que considera concorrência desleal. A Gadolando aguarda a implementação de medidas antidumping relacionadas às importações, cuja adoção ainda não ocorreu, segundo a associação. A pressão competitiva dos produtos importados acrescenta incerteza ao mercado nacional em um período no qual os produtores enfrentam riscos climáticos, elevação potencial dos custos e redução dos preços de referência. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.