14/Oct/2026
A produção de carne suína da China pode atingir um novo recorde em 2026, mesmo com os esforços para reduzir o plantel de matrizes e diante do enfraquecimento da demanda doméstica. O crescimento da oferta, em um cenário de consumo per capita em queda, amplia o desequilíbrio entre produção e demanda e contribui para a pressão sobre a rentabilidade da atividade. A avaliação é da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas. Em 2025, a produção chinesa de carne suína alcançou 59,38 milhões de toneladas, o maior volume já registrado. A perspectiva de novo recorde em 2026 indica que as medidas para enxugar o plantel de matrizes ainda não produziram o ajuste esperado.
A redução do número de matrizes está ocorrendo em ritmo mais lento do que o previsto, mantendo elevada a capacidade produtiva do setor. A suinocultura chinesa atravessa um período de forte pressão financeira, com prejuízos profundos e prolongados por três a quatro meses consecutivos, em um quadro sem precedentes históricos, conforme a avaliação do pesquisador. A combinação entre oferta elevada, dificuldades para ajustar a produção e demanda menos dinâmica aumenta os desafios para a recuperação das margens dos produtores. Pelo lado do consumo, a demanda por carne suína na China permaneceu relativamente estável ao longo da última década, mas pode ter iniciado uma trajetória de retração.
Em 2025, o consumo per capita recuou 5,4% em relação ao ano anterior, para 26,6 quilos por habitante. A queda reflete mudanças demográficas e alimentares, incluindo o envelhecimento e a redução da população chinesa, além da maior diversificação das fontes de proteína na dieta, com consumo de carnes de frango, bovina e ovina. O cenário indica que o ajuste da suinocultura chinesa dependerá não apenas da redução da capacidade produtiva, mas também da evolução da demanda doméstica. Caso a produção continue avançando enquanto o consumo perde força, a pressão sobre os preços e a rentabilidade poderá persistir, mantendo o setor diante do desafio de equilibrar oferta e demanda. Fonte: Agrimídia. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.