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13/Oct/2026

Lácteos: importação cresce e eleva déficit comercial

A balança comercial brasileira de lácteos registrou ampliação do déficit em setembro de 2026, impulsionada pelo crescimento das importações, em um cenário de elevada disponibilidade de leite no Mercosul. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as compras externas somaram 243 milhões de litros em equivalente-leite, aumento de 8,7% em relação a agosto. As exportações também avançaram, mas em ritmo menor, totalizando 5,4 milhões de litros em equivalente-leite, alta de 6,5% na comparação mensal. Com esse desempenho, o déficit comercial do setor aumentou de aproximadamente 219 milhões de litros em equivalente-leite em agosto para 237,6 milhões de litros em setembro. O resultado reflete a maior entrada de produtos importados no mercado brasileiro, apesar da recuperação parcial dos embarques externos.

A dinâmica comercial permanece influenciada pela disponibilidade de derivados lácteos nos países fornecedores, pelas relações cambiais e pela competitividade relativa entre os produtos nacionais e importados. O crescimento das importações foi acompanhado por um aumento expressivo das compras provenientes da Argentina e do Uruguai, principais fornecedores regionais. O movimento ocorre em um contexto de produção de leite no Mercosul acima dos níveis registrados no ano anterior, favorecendo a disponibilidade de matéria-prima e de derivados destinados ao mercado brasileiro. Embora a oferta regional permaneça elevada, o crescimento da produção vem perdendo intensidade, contribuindo para uma recuperação dos preços na origem. Entre os principais produtos importados, o leite em pó integral (LPI) apresentou recuo de 3% no volume adquirido em setembro, interrompendo dois meses consecutivos de crescimento.

Em sentido contrário, as compras de leite em pó desnatado (LPD) aumentaram 26%, revertendo a queda registrada em agosto. As importações de queijos avançaram 19% no mês, com igual crescimento nas aquisições de muçarela. As compras externas de concentrado proteico de soro de leite (WPC) também cresceram, com alta de 7,2% em setembro. O volume passou de aproximadamente 546,5 toneladas em agosto para 586 toneladas. Nesse contexto, a utilização de leite em pó desnatado em substituição parcial ao WPC em determinadas formulações industriais é uma das possíveis explicações para o aumento das importações de LPD, embora essa relação não esteja confirmada como causa direta do movimento. No mercado externo, as exportações brasileiras de lácteos apresentaram recuperação mensal de 6,5%, alcançando 5,4 milhões de litros em equivalente-leite.

O desempenho, entretanto, foi heterogêneo entre os produtos. Os embarques de soro de leite aumentaram 54,1% em relação a agosto, totalizando 1,28 milhão de quilos, enquanto as exportações de queijos recuaram 15,2% na mesma comparação. A evolução indica que o crescimento das vendas externas esteve concentrado em determinados derivados, sem avanço uniforme entre as categorias comercializadas. Para os próximos meses, a disponibilidade de lácteos no Mercosul continuará sendo um fator relevante para o abastecimento brasileiro e para a dinâmica das importações. Apesar da oferta regional ainda elevada, a desaceleração do crescimento da produção e a sustentação dos preços internacionais do leite em pó integral e desnatado no Global Dairy Trade (GDT) contribuem para reduzir a pressão baixista sobre as cotações dos derivados na região. Em contrapartida, a taxa de câmbio permanece como um elemento de competitividade para os produtos importados.

O dólar em patamares inferiores aos observados no ano passado reduz o custo de internalização dos lácteos estrangeiros, favorecendo sua entrada no mercado brasileiro. Entretanto, a valorização dos produtos na origem vem diminuindo a vantagem dos importados em relação aos nacionais, com aproximação entre os custos de aquisição de determinados derivados externos e os preços dos produtos brasileiros. Esse estreitamento da diferença de preços pode moderar o ritmo das compras externas nos próximos meses, caso os produtos nacionais mantenham ou ampliem sua competitividade. A evolução do câmbio, das cotações internacionais e dos preços no mercado doméstico será determinante para definir a intensidade desse ajuste. Mesmo com a possibilidade de desaceleração das importações, a elevada disponibilidade de produtos no Mercosul continua sendo um fator de influência sobre o abastecimento, a formação de preços e as margens da cadeia leiteira brasileira. Fonte: MilkPoint. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.