02/Oct/2026
Segundo o Bradesco, a oferta restrita de bovinos e a demanda por carne bovina devem sustentar a alta dos preços do boi gordo no Brasil, mas a intensidade e a duração do movimento dependerão das condições de retomada das compras chinesas. O banco trabalha com dois cenários para as cotações: preço de equilíbrio de R$ 370,00 por arroba caso os volumes destinados à China sejam retomados em novembro, ou preços de até R$ 410,00 por arroba se os embarques forem reiniciados em outubro com a carne negociada a valores mais elevados. No primeiro cenário, o Bradesco considera que os volumes destinados à China voltem a ocupar as linhas de produção dos frigoríficos em novembro, com a carne negociada a US$ 6,40 por quilo. No segundo, os frigoríficos retomariam os embarques já no início de outubro, com a carne precificada a US$ 7,50 por quilo.
A projeção de arroba a R$ 410,00, contudo, estaria condicionada ao período em que as exportações para a China conseguirem absorver a produção da indústria. Posteriormente, diante da dificuldade de repassar os preços para outros mercados, inclusive o doméstico, haveria possibilidade de correção significativa das cotações. A queda dos preços observada após o encerramento da cota de importação chinesa teve curta duração. A cota foi totalmente preenchida em julho, levando os frigoríficos a redirecionar parte das vendas para outros destinos, elevar a oferta no mercado interno e reduzir os abates. Em julho e agosto, os abates ficaram cerca de 19% abaixo dos níveis registrados em 2025. Essa redução foi o principal fator de sustentação dos preços da carne e contribuiu para a relativa estabilidade entre os diferentes elos da cadeia. A demanda permanece como o principal componente de formação dos preços.
Os frigoríficos vêm buscando ampliar o número de mercados de destino para reduzir a dependência das compras chinesas, aproveitando um cenário de oferta mundial mais restrita. As exportações brasileiras para outros destinos cresceram quase 20% no ano, enquanto a China respondeu por apenas 7% das exportações brasileiras de carne bovina em agosto. A isenção da tarifa de importação para carne bovina magra nos Estados Unidos deve ampliar os embarques brasileiros até novembro e mais do que compensar as perdas decorrentes da suspensão das exportações para a União Europeia. A diversificação dos destinos reduz parte da dependência do mercado chinês, mas não elimina sua influência sobre as cotações domésticas. A China permanece como o principal fator de volatilidade para o mercado brasileiro, enquanto os importadores chineses seguem com baixa atividade.
Com oferta doméstica restrita, consumo interno resiliente e demanda no mercado internacional, a tendência dos preços do boi gordo permanece condicionada ao nível de preços que os diferentes mercados conseguem absorver. No mercado interno, a oferta de bovinos continua limitada e a demanda permanece firme. O consumo surpreendeu positivamente recentemente, mas uma eventual desaceleração da economia brasileira pode limitar o ritmo da demanda nos próximos meses. Nesse contexto, o preço da tonelada de carne exportada e a capacidade de pagamento do mercado interno são apontados como os principais elementos para a formação do preço do boi gordo, em um ambiente em que os riscos de alta predominam. A projeção é de que a cota de exportação de carne bovina para a China em 2027 seja totalmente preenchida já em maio, o que reforça a importância do mercado chinês para a formação das expectativas de demanda ao longo do próximo ano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.