01/Oct/2026
O preço médio do leite cru captado por laticínios ficou praticamente estável em agosto. Na “Média Brasil” líquida (Goiás, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) o preço alcançou R$ 2,8869 por litro, altas de 0,7% frente a julho/26 e de 9,18% em relação a agosto/25, em termos reais (valores deflacionados pelo IPCA de agosto/26). A estabilidade ocorreu mesmo diante do avanço da oferta em algumas regiões. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) cresceu 3,86% de julho para agosto na “Média Brasil”, evidenciando que a produção vem se recuperando, especialmente no Sul do País. Por outro lado, a sustentação dos preços de alguns derivados e a demanda ainda relativamente firme limitaram movimentos mais intensos de baixa no período. Após dois meses de relativa estabilidade, os custos de produção da pecuária leiteira voltaram a subir em agosto.
O Custo Operacional Efetivo (COE) avançou 0,63% na “Média Brasil”, refletindo, principalmente, o encarecimento dos insumos utilizados na alimentação do rebanho. As valorizações do milho e da soja no mês anterior foram repassadas aos concentrados, que subiram 1,2% em agosto. No cenário externo, as importações brasileiras de lácteos diminuíram 2,54% de julho para agosto, somando 230,3 milhões de litros em Equivalente-Leite, conforme dados da Secex. Ainda assim, o volume adquirido no exterior permaneceu em patamar elevado, sendo quase 40% acima do registrado em agosto de 2025. O leite em pó representou 72,3% das importações, com 166,58 milhões de litros EqL, quantidade 0,99% superior ao de julho. A entrada elevada de produtos importados segue contribuindo para ampliar a oferta disponível no mercado interno e limitar a sustentação dos preços domésticos.
Quanto ao mercado de derivados, após um agosto de relativa estabilidade, as negociações apresentaram sinais de menor sustentação em setembro. A maior disponibilidade de leite, especialmente na Região Sul, com o avanço da produção associado à safra, vem aumentando a oferta de matéria-prima e trazendo maior pressão às cotações dos derivados no atacado. Em São Paulo, no atacado, pesquisas mostram que, em agosto, os preços do UHT e do leite em pó avançaram 4,65% e 1,80%, respectivamente, enquanto os da muçarela permaneceram praticamente estáveis, com leve alta de 0,62% frente a julho. Para os próximos meses, a expectativa é de recuo das cotações do leite cru em setembro e de continuidade do movimento em outubro, em meio à recuperação da oferta, à maior disponibilidade de matéria-prima e à permanência das importações em volumes elevados. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.