28/Sep/2026
Entidades representativas da cadeia produtiva brasileira de tilápia cobram medidas imediatas do governo diante do forte avanço das importações, principalmente de filés congelados provenientes do Vietnã. O setor se reuniu com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e reconhece a abertura do governo ao diálogo, mas avalia que ainda não houve definição de medidas concretas nem de prazo para enfrentar a expansão das compras externas. As entidades defendem a apresentação imediata de um plano de trabalho, com responsáveis e cronograma, para reunir dados de preços, custos, vendas, produção, empregos e participação de mercado que permitam avaliar a necessidade de medidas de defesa comercial. O setor também solicita acompanhamento público dos volumes importados e análise das propostas já encaminhadas para restabelecer condições consideradas equilibradas de concorrência.
Os dados reunidos pelo próprio governo evidenciam a velocidade da mudança no fluxo comercial. O Brasil importou 374 toneladas de filé de tilápia congelado em todo o ano de 2025. Entre janeiro e agosto de 2026, as importações alcançaram 10.245,95 toneladas, no valor de US$ 42,15 milhões. O Vietnã respondeu pela totalidade do valor importado no período de 2026. No mesmo intervalo, as importações brasileiras, medidas em peso de filé, superaram em mais de duas vezes as exportações do País, que somaram 4.627,33 toneladas. As entidades ressaltam que os produtos exportados e importados apresentam diferentes formas de comercialização e apresentação, mas consideram que a inversão dos fluxos evidencia a rapidez com que as condições do mercado interno se alteraram. A tilápia é a principal espécie da piscicultura brasileira e movimenta uma cadeia que envolve produção de alevinos, fabricação de ração, criação, transporte, frigoríficos, distribuição e comércio.
A entrada de filés importados em condições de preço consideradas incompatíveis com os custos da produção nacional amplia a pressão sobre os diferentes elos da cadeia, segundo as entidades. O setor relata dificuldades na comercialização de peixe vivo, na programação de novos povoamentos e na definição de investimentos. A preocupação está relacionada à possibilidade de que a pressão sobre os preços e a demanda doméstica se prolongue e afete decisões de produção e expansão da atividade, tornando mais complexa a recomposição da capacidade produtiva nacional. A nota técnica conjunta do Ministério da Pesca e Aquicultura reconhece o crescimento acelerado das importações e recomenda o aprofundamento da avaliação sobre uma possível investigação antidumping. O documento também aponta que eventual aplicação de medida de salvaguarda depende da comprovação dos requisitos previstos na legislação.
O setor não solicita dispensa da investigação, mas defende que a análise seja conduzida com prioridade, coordenação e prazo definido. A proposta envolve a articulação do Ministério da Pesca e Aquicultura com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Departamento de Defesa Comercial e os demais órgãos competentes para avaliar os efeitos das importações e eventuais medidas de defesa comercial. A nota conjunta é assinada pela Associação Catarinense de Aquicultura (Acaq), Associação Paulista de Aquicultura (Peixe SP), Associação Brasileira de Aquicultura (Abipesca), Associação Mineira de Aquicultura (Peixe MG), Associação Cearense de Aquicultura (Aceaq), Associação de Aquicultores de Mato Grosso (Aquamat), Sindicato Rural de Palotina (PR) e Associação Paranaense de Aquicultura (Peixe Paraná). Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.