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25/Sep/2026

Carnes: expectativa sobre auditoria sanitária da China

A China deve abrir o mercado aos miúdos suínos internos do Brasil e avalia a habilitação de novos frigoríficos brasileiros, em um movimento relacionado à auditoria sanitária conduzida nesta semana pela Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC) no País. A inspeção também inclui a análise das condições para eventual abertura do mercado chinês aos miúdos bovinos brasileiros. A negociação mais avançada é a liberação de rins, fígado e estômago de suínos, cuja autorização pode ser formalizada ainda nesta semana, ao término da auditoria. As tratativas ganharam velocidade após o Brasil ser reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), em junho de 2025, como país livre de febre aftosa sem vacinação. O status sanitário foi reconhecido pela China neste ano e é requisito para a exportação desses produtos. Em 2026, o Brasil reforçou o pleito no âmbito de medidas compensatórias destinadas a reduzir os efeitos da salvaguarda aplicada pela China à carne bovina brasileira. Os miúdos não estão incluídos na salvaguarda e, portanto, não seriam contabilizados na cota brasileira.

Atualmente, o Brasil está autorizado a exportar para a China apenas miúdos suínos externos, como patas e orelhas, e somente produtos originados em Santa Catarina. Em maio, Brasil e China chegaram a entendimentos técnicos sobre os requisitos para a exportação de subprodutos suínos. Uma versão do protocolo sanitário, no formato de Certificado Sanitário Internacional, já foi traduzida para mandarim, inglês e português, restando a formalização da abertura de mercado para os miúdos internos. As negociações bilaterais para os miúdos suínos se intensificaram há cerca de um ano, após missão presidencial ao país asiático. O interesse brasileiro está relacionado ao potencial do mercado chinês, de grande consumo de subprodutos suínos e considerado remunerador, além da possibilidade de agregar valor a itens que apresentam menor valor comercial no mercado doméstico. A China importa cerca de US$ 2,6 bilhões por ano em miúdos suínos, equivalentes a aproximadamente 30% do total de carne suína internalizada pelo país.

Em 2025, o Brasil exportou 21,5 mil toneladas de miúdos suínos externos para a China, no valor de US$ 62,817 milhões. As importações chinesas de miúdos somam cerca de 100 mil toneladas por mês, ou 1,2 milhão de toneladas por ano, principalmente do Canadá, Estados Unidos e União Europeia. A China busca diversificar as fontes de fornecimento de carne suína e miúdos em um cenário de tarifas antidumping aplicadas à carne suína europeia e de sobretaxas sobre produtos canadenses e norte-americanos. Para os miúdos bovinos, a possibilidade de conclusão da abertura é considerada mais remota, já que as negociações permanecem em fase técnica, com discussão do protocolo sanitário. Ainda assim, não está descartada uma eventual abertura após o encerramento da cota de exportação de carne bovina. A auditoria chinesa também avalia a retomada da habilitação de frigoríficos brasileiros atualmente suspensos para exportação ao mercado chinês. Cinco unidades exportadoras de carne bovina estão com os embarques suspensos sob alegação de presença de resíduos de hormônios sintéticos nas cargas.

As plantas são JBS S.A., de Vilhena (RO, SIF 4333); JBS S.A., de Pontes e Lacerda (MT, SIF 51); Prima Foods, de Araguari (MG, SIF 177); Vale Grande Indústria e Comércio de Alimentos S.A. (Frialto), de Matupá (MT, SIF 4490); e Pantaneira Indústria e Comércio de Carnes e Derivados Ltda., do grupo Frigosul (SulBeef), em Várzea Grande (MT, SIF 1206). Nesse processo, a inspeção busca avaliar os controles de resíduos de hormônios sintéticos adotados pelas unidades. Também permanece suspensa uma indústria avícola da Copacol Cooperativa Agroindustrial, em Cafelândia (PR, SIF 516), desde 22 de agosto de 2022, quando a unidade foi atingida por incêndio. A expectativa do governo e do setor produtivo é de retirada dos embargos. A inspeção da GACC começou em 20 de setembro e segue até 26 de setembro. O roteiro inclui visitas ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) do Rio Grande do Sul, a frigoríficos de suínos, aves e bovinos e a uma fazenda produtora de gado. As equipes devem percorrer Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Rondônia. Paralelamente, a China realizou auditoria remota em 20 frigoríficos brasileiros interessados em novas habilitações.

O processo começou em 17 de setembro e foi concluído em 23 de setembro. Os técnicos chineses devem agora elaborar relatório com parecer sobre as unidades consideradas aptas a exportar, conforme as exigências sanitárias do país asiático. A lista de frigoríficos interessados em exportar para a China foi apresentada pelo governo brasileiro em maio, durante missão do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, ao país asiático. No curto prazo, não há expectativa de novas habilitações para carne bovina em razão da salvaguarda adotada pela China, mas podem ocorrer autorizações para unidades de aves e suínos. Eventuais novas habilitações teriam impacto limitado sobre as exportações brasileiras de carne bovina, uma vez que o País já preencheu, em 2026, a cota de 1,106 milhão de toneladas sujeita à alíquota adicional de 55%. A expectativa de habilitação de novas plantas, de reabilitação de unidades suspensas e de ampliação das vendas de produtos de origem animal ao mercado chinês já havia sido sinalizada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. A China é atualmente o principal destino das exportações agropecuárias do Brasil e responde por cerca de um terço dos embarques anuais do agronegócio brasileiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.