22/Sep/2026
O Uruguai deverá ceder aproximadamente 80 mil toneladas de sua cota de exportação de carne bovina à China ao Brasil, permitindo o embarque do produto sem a aplicação da tarifa adicional de 55%. A transferência do excedente foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após encontro com o presidente uruguaio Yamandú Orsi, em Nova York, nos Estados Unidos, durante a semana da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A cessão ocorre no âmbito da salvaguarda adotada pela China neste ano para as importações de carne bovina, que estabeleceu cotas específicas por país e uma sobretaxa de 55% sobre os volumes que excederem os limites nacionais. A cota brasileira foi fixada em 1,106 milhão de toneladas sem aplicação da tarifa adicional e já foi integralmente consumida no último mês.
Para o Uruguai, a China estabeleceu uma cota de 324 mil toneladas de carne bovina isentas da sobretaxa em 2026. O volume supera a capacidade exportadora uruguaia, que destinou 200 mil toneladas de carne bovina à China no ano passado. Até o momento, o país não teria utilizado sequer metade de sua cota, restando três meses para o encerramento do ano. Parte do volume uruguaio também já foi cedida à Austrália, após o esgotamento da cota australiana, de 205 mil toneladas. O Brasil vinha solicitando desde a implementação da salvaguarda chinesa, em 31 de dezembro do ano passado, a redistribuição entre os países dos volumes não utilizados de suas respectivas cotas. A gestão das cotas é realizada pelo governo chinês, que anteriormente havia sinalizado ao governo brasileiro que não promoveria a redistribuição dos volumes entre os países.
Apesar do acordo bilateral entre Brasil e Uruguai, ainda existem dúvidas no setor privado e no governo brasileiro sobre a necessidade de anuência da China para a efetivação da transferência. O volume de aproximadamente 80 mil toneladas é considerado relativamente pequeno e, por isso, há expectativa de que a China possa autorizar a operação, uma vez que a transferência não tende a alterar de forma relevante o mercado doméstico chinês nem ultrapassar o volume total estabelecido pela salvaguarda. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a utilização pelo Brasil do excedente da cota uruguaia de carne bovina para a China teria efeito limitado em 2026, devido ao tempo necessário para negociação, embarque e trânsito da mercadoria até o mercado chinês. Para 2027, contudo, o excedente uruguaio poderá representar uma alternativa para ampliar o acesso da carne bovina brasileira ao mercado chinês.
A cota brasileira prevista para o próximo ano é de 1,128 milhão de toneladas e poderá ser esgotada já nos primeiros meses caso seja mantido o ritmo atual de vendas. A Abiec considera que iniciativas capazes de ampliar o acesso da carne bovina brasileira ao mercado chinês contribuem para preservar o fluxo comercial com o principal destino da proteína nacional. Para 2027, a entidade defende maior previsibilidade e mecanismos que permitam distribuir os embarques ao longo do ano, reduzindo o risco de esgotamento antecipado da cota brasileira. O limite estabelecido pela China para o Brasil em 2027 supera a cota de 1,106 milhão de toneladas definida para 2026. O aproveitamento de eventual volume não utilizado pelo Uruguai poderá ampliar a margem disponível para os exportadores brasileiros caso a cota nacional se aproxime do limite nos primeiros meses do próximo ano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.