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22/Sep/2026

Boi: preços devem avançar com retomada da China

Segundo o Rabobank, o mercado do boi gordo deve permanecer sob pressão em setembro e outubro, diante da forte redução dos embarques de carne bovina para a China, mas pode encontrar condições mais favoráveis no fim do ano. Os contratos futuros indicam o boi gordo próximo de R$ 380,00 por arroba em dezembro, ante R$ 336,00 por arroba no mercado físico em julho. O cenário projetado para 2026 apresenta trajetória de baixa e posterior recuperação das cotações, com o pico dos preços registrado em abril e nova elevação indicada pelo mercado futuro para dezembro. A pressão no curto prazo está associada principalmente à menor demanda chinesa. As vendas brasileiras de carne bovina para o país asiático devem apresentar quedas expressivas na comparação anual em setembro e durante parte de outubro, com os efeitos desse movimento podendo se estender até o fim de outubro ou o início de novembro.

Em agosto, os embarques brasileiros de carne bovina para a China recuaram 88% ante igual mês de 2025, para cerca de 19 mil toneladas. As exportações totais brasileiras caíram 21% na mesma comparação. Apesar disso, no acumulado do ano até agosto, o volume exportado pelo Brasil permanecia 5% acima do registrado em 2025, enquanto a receita avançava 21%, sustentada pelo desempenho mais forte no início do ano. A China responde atualmente por cerca de 46% das exportações brasileiras de carne bovina e absorve volume equivalente a 17% a 18% da produção nacional. A elevada participação chinesa confere ao país influência relevante sobre os preços da carne e do boi gordo no Brasil. A cota para a carne bovina brasileira foi fixada em cerca de 1,1 milhão de toneladas em 2026, ante 1,65 milhão de toneladas embarcadas pelo Brasil para o mercado chinês em 2025.

Para este ano, a projeção de exportações para China está entre 1,2 milhão e 1,25 milhão de toneladas, antes da renovação da cota em janeiro de 2027. Parte da carne destinada à China pode ser redirecionada para outros mercados, principalmente Estados Unidos, Oriente Médio, Indonésia, Vietnã, Reino Unido e Chile. Os embarques brasileiros aos Estados Unidos somavam 260 mil toneladas até agosto, aumento de 29% ante igual período de 2025. Ainda assim, a diversificação dos destinos tende a não compensar integralmente a redução das vendas para a China, dada a participação do mercado chinês nas exportações brasileiras. Japão e Coreia do Sul também podem ampliar as alternativas para o produto brasileiro. Auditorias em frigoríficos do País já foram concluídas, e há expectativa de avanço dos processos de abertura desses mercados ainda em 2026.

A possibilidade de ampliação dos destinos ganha relevância em um cenário de restrições às vendas para a União Europeia relacionadas às exigências sobre o uso de antimicrobianos. O mercado doméstico apresenta espaço limitado para absorver a retração das exportações. O Rabobank projeta queda de 5% a 6% no consumo brasileiro de carne bovina em 2026, em razão da perda de competitividade frente ao frango, à carne suína e ao pescado. A diferença de preços dessas proteínas em relação à carne bovina é a maior desde 2022, em um ambiente de oferta elevada de frango e carne suína. As eleições presidenciais de outubro podem gerar alguma sustentação pontual ao consumo, em função do potencial efeito dos recursos eleitorais sobre a demanda das famílias. A diferença de rentabilidade entre os mercados interno e externo também mantém a indústria direcionada às exportações. Em 2025, o preço médio da tonelada de carcaça bovina comercializada no Brasil ficou em cerca de R$ 30 mil, ante R$ 37 mil no mercado externo.

Esse diferencial mantém as margens de exportação acima das obtidas no mercado doméstico e favorece a manutenção do foco da indústria nos embarques internacionais. Do lado da oferta, a produção brasileira de carne bovina alcançou 5,4 milhões de toneladas no 1º semestre, alta de 5,5% ante igual período de 2025. Ainda assim, a expectativa é de redução da oferta no acumulado de 2026, diante da menor demanda externa no 2º semestre e da perda de competitividade da carne bovina no mercado interno. Os preços elevados dos bovinos também aumentam o estímulo à retenção de matrizes e podem restringir a disponibilidade de gado nos próximos ciclos. O estoque de fêmeas encontra-se no menor nível histórico, o que reforça o incentivo à retenção e pode limitar a oferta futura de animais para abate. Esse movimento estrutural tende a contribuir para a recuperação das cotações caso a demanda externa volte a ganhar força, especialmente a partir da renovação da cota chinesa em 2027. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.