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22/Sep/2026

Boi: Uruguai libera excedente de cota à China para Brasil

O Brasil poderá utilizar parte do excedente da cota de exportação de carne bovina destinada pelo Uruguai ao mercado chinês. A disposição foi tratada em encontro bilateral entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Yamandú Orsi, realizado em Nova York, nos Estados Unidos, durante a semana de Alto Nível da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Ainda não há detalhamento sobre eventual aval da China à utilização pelo Brasil do volume não utilizado pelo Uruguai, uma vez que a China administra as cotas de importação entre os países fornecedores. A China estabeleceu, no fim de 2025, limites de importação de carne bovina para os países fornecedores da proteína, com o objetivo de proteger a pecuária doméstica diante de reclamações relacionadas ao excesso de produto importado e aos impactos sobre a competitividade da produção local. Para o Brasil, a cota definida para 2026 é de 1,106 milhão de toneladas, com sobretaxa de importação de 55% sobre os volumes que excederem esse limite.

Em 2025, o Brasil exportou 1,7 milhão de toneladas de carne bovina para a China, volume recorde e 35% superior ao registrado no ano anterior, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Dados do Ministério do Comércio da China (Mofcom) de 11 de agosto indicavam que o Brasil já havia utilizado 90% de sua cota para 2026. Para o Uruguai, a China estabeleceu cota de 324 mil toneladas. Segundo dados do Mofcom, menos de 25% desse volume havia sido utilizado até a metade do ano, o que abre espaço para que parte da cota não utilizada pelo país seja destinada ao Brasil, caso a China autorize o remanejamento. A criação das cotas levou o Brasil a registrar recorde de exportações de carne bovina para a China no primeiro semestre de 2026, em um movimento de antecipação dos embarques para garantir a entrada da proteína no país asiático sem a incidência da sobretaxa. No segundo semestre, dados já indicam desaceleração dos embarques, em estratégia adotada pelos frigoríficos para reduzir o risco de as cargas chegarem aos portos chineses após o preenchimento da cota e ficarem sujeitas à tarifa adicional de 55%.

A possibilidade de redistribuição de cotas já havia sido levantada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) após a definição dos limites chineses, em 31 de dezembro de 2025. A proposta considera a possibilidade de um país fornecedor não utilizar integralmente sua cota e outro país assumir parte desse volume, mediante negociação com a China. O mecanismo também poderia ser aplicado a países que deixaram de exportar volumes relevantes ao mercado chinês, como os Estados Unidos, que não realizaram exportações para a China em 2025. Para o Brasil, a utilização de parte da cota uruguaia poderia ampliar o volume de carne bovina exportado à China sem a aplicação da sobretaxa de 55%, reduzindo a limitação imposta pelo teto de 1,106 milhão de toneladas. A efetivação desse mecanismo, contudo, depende da anuência das autoridades chinesas responsáveis pela gestão das cotas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.