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22/Sep/2026

Leite: preço ao produtor deve recuar no 4º trimestre

O preço médio do leite cru captado pelos laticínios seguiu em alta em julho. Na “Média Brasil” (Goiás, Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) em termos líquidos, a cotação alcançou R$ 2,8761 por litro, alta de 4,65% ante junho. Na comparação com julho de 2025, o preço apresentou avanço real de 4,96% (valores deflacionados pelo IPCA de julho). A demanda por leite UHT, os estoques ajustados e o crescimento mais lento da captação em algumas regiões mantiveram elevada a concorrência pela matéria-prima ao longo do mês. Apesar desse cenário, a oferta começou a apresentar recuperação. O ICAP-L, Índice de Captação de Leite, avançou 2,38% de junho para julho na Média Brasil, embora ainda acumule queda de 9,3% no ano. Após dois meses de relativa estabilidade, os custos de produção da pecuária leiteira voltaram a subir em agosto.

O Custo Operacional Efetivo (COE) aumentou 0,63% na Média Brasil, influenciado principalmente pela valorização dos insumos destinados à alimentação do rebanho. As altas do milho e da soja registradas no mês anterior foram repassadas aos concentrados, que apresentaram valorização de 1,20% em agosto. As importações brasileiras de lácteos recuaram 2,54% de julho para agosto, para 230,3 milhões de litros em equivalente-leite. Apesar da retração mensal, o volume permaneceu elevado e ficou 39,48% acima do registrado em agosto de 2025. O leite em pó respondeu por 72,3% das compras externas no mês, com importações de 166,58 milhões de litros em equivalente-leite, alta de 0,99% ante julho. A elevada presença de produtos lácteos importados amplia a disponibilidade no mercado interno e aumenta a pressão sobre as negociações domésticas.

Ao mesmo tempo, no mercado de derivados, as negociações apresentaram relativa estabilidade em agosto, mas começaram a perder sustentação em setembro. A oferta de leite na Região Sul vem aumentando com o desenvolvimento da safra, ampliando a disponibilidade de matéria-prima e pressionando as cotações dos derivados no atacado. Esse movimento ocorre em um ambiente de recuperação da captação, maior disponibilidade de leite spot e enfraquecimento gradual da demanda por derivados. Diante desse cenário, a tendência é de acomodação dos preços do leite cru no próximo mês, com maior pressão baixista ao longo do quarto trimestre. O avanço da produção, sobretudo na Região Sul, a maior oferta de leite spot, a elevada presença de importados e a perda de sustentação do mercado de derivados devem aumentar a pressão sobre as cotações. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.