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21/Sep/2026

Boi: China deve retomar compras para cota de 2027

A China deve voltar a intensificar as compras de carne bovina brasileira entre o fim de setembro e o início de outubro, com cargas destinadas à chegada ao país asiático a partir de janeiro de 2027, quando estará vigente a nova cota de importação. A cota destinada ao Brasil em 2026 é de 1,106 milhão de toneladas, com tarifa de importação de 12%. Sobre o volume que exceder esse limite incide tarifa adicional de 55%. Para 2027, a cota brasileira será elevada para 1,128 milhão de toneladas. A cota de 2026 foi praticamente preenchida em sete meses, alterando o ritmo de compras chinesas durante o restante do ano. No mercado brasileiro, a avaliação é de que o limite de 2026 já foi atingido quando consideradas as cargas embarcadas e ainda em trânsito.

A regra chinesa contabiliza o produto no momento da entrada no país, o que antecipa o ajuste das compras por parte dos importadores para evitar a incidência da tarifa adicional sobre volumes acima da cota. A desaceleração ficou mais evidente em agosto. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a China importou 18,9 mil toneladas de carne bovina brasileira no mês, queda de 88,2% ante agosto de 2025. A retração da demanda chinesa também influenciou as cotações do boi gordo no mercado interno. O boi gordo chegou à faixa de R$ 325,00 por arroba com a redução das compras chinesas, mas recuperou cerca de R$ 25,00 por arroba em menos de duas semanas e voltou para próximo de R$ 350,00 por arroba em São Paulo. Na B3, os contratos futuros permaneceram acima das referências do mercado físico.

O contrato para outubro encerrou a R$ 375,85 por arroba, novembro a R$ 383,20, dezembro a R$ 383,35 e janeiro de 2027 a R$ 386,15 por arroba. A retomada dos negócios com a China, portanto, deve ocorrer antes da abertura da nova cota, com exportadores e compradores já negociando cargas cuja chegada está prevista para janeiro de 2027. A antecipação das compras permite organizar os embarques para entrada do produto no mercado chinês dentro do limite tarifário do próximo ano. A formação dos preços do boi no Brasil, porém, dependerá de outros fatores além da demanda chinesa. A procura dos Estados Unidos, o consumo doméstico e a taxa de câmbio também deverão influenciar o comportamento do mercado nos próximos meses. O ritmo das compras chinesas para a cota de 2027 será, assim, um dos componentes da demanda externa, mas não o único determinante das cotações. Fonte: Canal Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.