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18/Sep/2026

Boi: proposta de divisão da cota de carne para China

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a cota destinada à carne bovina brasileira na China em 2027 poderá ser consumida já em março caso não seja criado um mecanismo para distribuir os embarques ao longo do ano. A entidade discute com o governo brasileiro uma proposta de divisão dos volumes entre frigoríficos, considerando critérios como participação de mercado e histórico de exportações, com o objetivo de evitar concentração das vendas nos primeiros meses do ano. A China estabeleceu para o Brasil uma cota de 1,128 milhão de toneladas em 2027, ante 1,106 milhão de toneladas em 2026. Os volumes que excederem o limite continuarão podendo ingressar no mercado chinês, mas estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 55% sobre a alíquota já aplicada. A salvaguarda está prevista para vigorar de 2026 a 2028 e estabelece elevação gradual da cota brasileira para 1,151 milhão de toneladas em 2028.

O comportamento observado em 2026 evidenciou o risco de concentração dos embarques. O Brasil atingiu 50% da cota em 9 de maio, avançou para 80% em 21 de julho e chegou a 90% em 10 de agosto, conforme comunicados do Ministério do Comércio da China. A aproximação do limite provocou forte retração das vendas ao principal destino da carne bovina brasileira. Os embarques para a China recuaram cerca de 90% em agosto e a expectativa é de manutenção de volumes muito baixos em setembro, com impacto sobre as margens da indústria e necessidade de redirecionamento da produção para outros mercados. O movimento interrompeu um primeiro semestre de forte expansão das exportações. Entre janeiro e junho, a China importou 794,7 mil toneladas de carne bovina brasileira, aumento de 24% ante o mesmo período de 2025, gerando receita de US$ 4,87 bilhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O desempenho reforça a relevância do mercado chinês para a indústria brasileira e amplia o impacto da limitação de volumes no segundo semestre. Para 2027, o risco de antecipação das vendas é maior porque os exportadores já conhecem previamente o tamanho da cota e podem começar a fechar negócios em outubro ou novembro para cargas com chegada prevista à China a partir de janeiro. Esse movimento pode concentrar ainda mais os embarques no início do período de vigência da cota e antecipar o esgotamento do volume disponível. O ritmo efetivo das compras chinesas, entretanto, dependerá das condições de demanda no país. Os estoques de carne bovina permanecem elevados e a produção doméstica de carne suína também está em patamar alto, fatores que podem limitar a velocidade de recomposição das compras externas.

A combinação entre estoques, produção doméstica e programação dos importadores será determinante para o ritmo de utilização da cota em 2027. Caso o limite seja alcançado em março ou abril, a indústria brasileira poderá enfrentar até seis meses de forte redução das vendas para seu principal mercado. Além da pressão sobre as margens, a retração prolongada pode afetar o fluxo de caixa dos frigoríficos, especialmente porque parte das empresas utiliza adiantamentos de compradores chineses como fonte de capital de giro. Para reduzir esse risco, a Abiec retomou com o governo a discussão de um modelo de administração da cota por empresa. A proposta prevê a distribuição de parcelas entre frigoríficos com base em critérios como participação nas exportações e desempenho histórico, permitindo dosar os embarques ao longo de 2027.

O objetivo é evitar que um número reduzido de empresas concentre as vendas no início do ano e que o mercado permaneça por vários meses sob forte restrição após o esgotamento do volume. Um mecanismo semelhante chegou a ser discutido para 2026, mas não houve decisão governamental de distribuir a cota entre os frigoríficos. A discussão foi retomada diante da perspectiva de novas habilitações de unidades brasileiras para exportar à China, o que deverá ampliar o número de empresas disputando o mesmo volume disponível. Sem algum mecanismo de administração, permanece o risco de nova concentração de negócios entre o fim de 2026 e o início de 2027, seguida por um período prolongado de redução das vendas ao mercado chinês. A proposta da Abiec ainda está em elaboração e deverá incorporar a entrada de novos frigoríficos habilitados antes de ser apresentada ao governo como sugestão definitiva para a gestão da cota de 2027. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.