18/Sep/2026
Segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), as exportações brasileiras de carnes e subprodutos do abate de bovinos, incluindo carne in natura, industrializada, miúdos comestíveis e outros subprodutos, recuaram 25,56% em volume em agosto de 2026 ante igual mês de 2025, para 267,34 mil toneladas. A receita caiu 16,11%, para US$ 1,399 bilhão. O resultado foi influenciado principalmente pelo esgotamento da cota de 1,106 milhão de toneladas para as exportações brasileiras de carne bovina à China, com os embarques acima desse limite sujeitos a sobretaxa de 55%. No acumulado de janeiro a agosto de 2026, as exportações de carnes e subprodutos bovinos somaram US$ 12,957 bilhões, alta de 19,55% ante igual período de 2025. Em volume, os embarques recuaram 1,14%, para 2,387 milhões de toneladas. A combinação de maior receita com leve retração do volume indica aumento do valor médio das vendas externas no período.
A China permaneceu como principal mercado para a carne bovina brasileira nos oito primeiros meses do ano, com compras de US$ 5,438 bilhões, alta de 9,43%. Em volume, porém, os embarques para o país asiático recuaram 7,9%, para 873 mil toneladas. Em agosto, as exportações de carne bovina in natura para a China despencaram 89,62% em receita, para US$ 92 milhões, enquanto o volume caiu 89,82%, para 16 mil toneladas. Com o preenchimento da cota, a expectativa é de retomada das vendas a partir de novembro, quando os embarques poderão ser enquadrados na cota correspondente ao ano seguinte. Os Estados Unidos, segundo maior importador da carne bovina brasileira, passaram a contar com espaço adicional para as exportações brasileiras a partir de setembro. A nova cota de até 300 mil toneladas foi destinada ao grupo de outros países, que não possuem cota específica no mercado norte-americano, e permite a entrada sem a alíquota de 26,4% aplicada às importações fora da cota.
O volume será distribuído em três parcelas mensais de até 100 mil toneladas entre setembro e novembro de 2026, por ordem de chegada. A Abrafrigo considera que o Brasil tende a concentrar parcela relevante desse espaço, o que pode atenuar os efeitos da limitação das vendas à China. Informações do Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) indicam que até 14 de setembro havia sido preenchido 22,16% do volume de 100 mil toneladas disponibilizado para setembro. Pelas regras divulgadas, o volume não utilizado em determinado mês não é automaticamente transferido para o mês seguinte. A cota contempla aparas magras de carne bovina, ou beef trimmings, classificadas nos códigos do Sistema Harmonizado (HS) 0201.30.5091, 0201.30.5097, 0202.30.5091 e 0202.30.5097. De janeiro a agosto, as vendas totais de carne bovina aos Estados Unidos alcançaram US$ 2 bilhões, aumento de 24,75% ante igual período de 2025.
Considerando apenas a carne bovina in natura, a receita avançou 62,16%, para US$ 1,458 bilhão, enquanto o volume cresceu 37,24%, para 241 mil toneladas. Em agosto, antes da entrada em vigor da nova cota, os embarques de carne bovina in natura aos Estados Unidos somaram US$ 182,2 milhões, alta de 385%, com volume de 31,33 mil toneladas, aumento de 390%. Em agosto de 2025, havia entrado em vigor uma tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros, incluindo carne bovina, o que cria uma base de comparação que contribui para o forte crescimento observado nas vendas aos Estados Unidos e pode favorecer o desempenho nos três meses seguintes. A União Europeia foi o terceiro principal destino da carne bovina brasileira entre janeiro e agosto. As vendas totais ao bloco atingiram US$ 791,3 milhões, alta de 44,4% ante igual período de 2025. As exportações de carne bovina in natura cresceram 38,54%, para US$ 659 milhões, enquanto o volume aumentou 26,36%, para 72,95 mil toneladas.
A barreira imposta pela União Europeia à carne bovina brasileira, relacionada às dificuldades para o reconhecimento do protocolo de produção livre de antimicrobianos apresentado por entidades da cadeia produtiva e homologado pelo Ministério da Agricultura (Mapa), deverá reduzir os embarques ao bloco no último quadrimestre do ano. A estimativa é de que cerca de 70 mil toneladas de produtos cárneos bovinos deixem de ser exportadas para a União Europeia entre setembro e dezembro de 2026, com impacto aproximado de US$ 700 milhões para o setor. As negociações entre o governo brasileiro e as autoridades europeias continuam voltadas à possibilidade de reversão da barreira. Entre os demais mercados estratégicos, o Chile apresentou expansão de 32,4% nas compras, para 106,8 mil toneladas, enquanto a receita avançou 47,6%, para US$ 650 milhões. A Rússia elevou os embarques para cerca de 96 mil toneladas, aumento de 29,4%, e a receita cresceu 46,4%, para aproximadamente US$ 454 milhões.
O México foi o único entre os cinco mercados que registrou retração no período. As compras recuaram 18,8%, para 65,8 mil toneladas, enquanto a receita caiu 9,4%, para US$ 399 milhões. Hong Kong apresentou recuperação, com importações de 71 mil toneladas, alta de 9,9%, e receita de US$ 301 milhões, aumento de 34,7%. A Arábia Saudita também registrou forte crescimento, com avanço de 24,9% no volume, para 49,7 mil toneladas, e alta de 56,8% na receita, para US$ 297,5 milhões. O número de países compradores da carne bovina brasileira passou de 164 para 171 entre janeiro e agosto de 2025 e o mesmo período de 2026. Desse total, 126 mercados elevaram as aquisições, enquanto 55 reduziram os volumes comprados. A diversificação dos destinos ganha importância diante da limitação temporária das vendas à China e da barreira europeia, enquanto o novo espaço tarifário nos Estados Unidos cria uma alternativa adicional, embora concentrada em determinados tipos de produto, especialmente aparas magras destinadas à produção de carne moída. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.