18/Sep/2026
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a eventual redução do abate bovino no Brasil em 2027 não deve resultar em queda equivalente da oferta de carne, diante do aumento do peso médio das carcaças e dos ganhos de produtividade na pecuária. Ao mesmo tempo, a ampliação do déficit global de carne bovina tende a abrir espaço para o crescimento das exportações brasileiras. A Abiec não trabalha com um cenário de escassez relevante de bovinos em 2027. A expectativa é de que a oferta de bovinos e a taxa de desfrute permaneçam em níveis semelhantes aos observados nos últimos anos, com eventual redução da disponibilidade de bovinos restrita a uma margem considerada limitada. Parte do impacto de uma eventual queda do número de animais abatidos tende a ser compensada pelo aumento do peso médio das carcaças.
Caso o abate recue mais em 2027 do que em 2026, a expectativa é de que o peso médio dos bovinos também avance, reduzindo o efeito da menor quantidade de cabeças sobre a produção total de carne. O avanço da produtividade vem reduzindo a intensidade das oscilações tradicionalmente associadas ao ciclo pecuário brasileiro. Em um cenário de menor disponibilidade de bovinos e maior oferta de alimentação, os animais tendem a chegar ao abate com maior peso. A intensificação dos sistemas produtivos e a maior disponibilidade de ração contribuem para amortecer os efeitos de uma eventual redução da oferta de bovino. A expansão da produção de etanol de milho e, consequentemente, da oferta de subprodutos como o DDG, também tende a favorecer a nutrição animal nos próximos anos. A maior disponibilidade desses insumos pode contribuir para elevar o ganho de peso dos bovinos e limitar os efeitos de uma eventual virada do ciclo pecuário sobre a produção de carne, embora não elimine completamente uma possível redução do abate.
No mercado externo, a expectativa é de que o Brasil absorva cerca de um quarto da expansão do déficit mundial de carne bovina em 2027, proporção próxima à participação brasileira nas exportações globais. A ampliação do déficit tende a se concentrar principalmente em países em desenvolvimento, enquanto o Brasil mantém capacidade de aumentar os embarques e redistribuir volumes entre diferentes destinos. A perspectiva de crescimento das exportações ocorre apesar das restrições recentes em mercados relevantes. A China passou a limitar as compras de carne bovina brasileira por meio de uma cota, enquanto a União Europeia interrompeu as importações neste mês após a entrada em vigor de novas exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos. Parte da demanda adicional poderá ser direcionada para Chile, países da Ásia, Oriente Médio e Estados Unidos. No mercado norte-americano, a expectativa é de manutenção do déficit de produção doméstica, criando espaço para importações adicionais de carne bovina.
No caso da União Europeia, o principal impacto da suspensão está relacionado à rentabilidade e à formação de preços, e não necessariamente a uma redução proporcional do volume total exportado pelo Brasil. A demanda europeia possui relevância para a composição da carcaça e para a formação de preços, enquanto outros mercados podem absorver diferentes cortes e volumes. Nesse cenário, a combinação entre ganhos de produtividade, maior peso das carcaças, disponibilidade crescente de subprodutos para alimentação animal e aumento do déficit mundial tende a sustentar a oferta exportável brasileira em 2027, mesmo com eventual redução do abate. A capacidade de redirecionar os embarques entre mercados será um fator relevante diante das restrições comerciais impostas pela China e pela União Europeia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.