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18/Sep/2026

Boi: cota dos EUA não compensa perda de China e UE

A ampliação temporária da cota de importação de carne bovina pelos Estados Unidos cria uma oportunidade adicional para o Brasil em um momento de restrições comerciais na China e na União Europeia, mas não substitui automaticamente esses mercados. A demanda norte-americana está concentrada principalmente em aparas magras de carne bovina destinadas à produção de carne moída, enquanto China e Europa absorvem diferentes cortes da carcaça. A diversificação dos destinos continua sendo necessária para maximizar o aproveitamento econômico do bovino. Em agosto, o governo dos Estados Unidos ampliou temporariamente em 300 mil toneladas o volume de ‘lean beef trimmings’, ou aparas magras de carne bovina, que poderá ingressar no país sob a tarifa aplicável dentro da cota. O volume adicional foi destinado ao grupo de países sem cota própria, no qual o Brasil está incluído, e será distribuído em três parcelas de 100 mil toneladas entre setembro e novembro, por ordem de chegada.

A medida é restrita a determinadas categorias tarifárias de aparas magras, utilizadas principalmente na produção de carne moída. A indústria norte-americana utiliza carne importada com menor teor de gordura em combinação com matéria-prima doméstica mais gordurosa para atingir a composição desejada do produto final. A ampliação da cota foi justificada pelo governo norte-americano pela insuficiência da oferta doméstica e pelos preços elevados da carne bovina, especialmente da carne moída. A proclamação também determina o acompanhamento dos preços das importações realizadas sob a cota extraordinária e prevê a possibilidade de retirada do volume remanescente caso o produto não seja comercializado a preço 25% inferior ao valor de mercado das aparas magras. O Brasil possui condições de aproveitar parte desse espaço em razão da escala de produção e da capacidade exportadora, mas a medida atende a uma necessidade específica do mercado norte-americano e não compensa integralmente a redução das vendas para outros destinos.

A cota adicional representa, portanto, uma alternativa comercial complementar, sem substituir a demanda chinesa e europeia. A diferença está no perfil de consumo de cada mercado. A China absorve principalmente cortes do dianteiro, enquanto os Estados Unidos demandam, entre outros produtos, aparas e cortes destinados à indústria de carne moída. A União Europeia, por sua vez, compra cortes diferentes, mais próximos dos consumidos no mercado interno brasileiro. Essa segmentação permite que a indústria distribua as diferentes partes da carcaça entre mercados com demandas específicas e maximize o valor obtido por animal. A abertura adicional dos Estados Unidos ocorre em um momento de necessidade de ampliação das alternativas comerciais para a carne brasileira. As vendas para a China recuaram com a aproximação do limite da cota estabelecida pelo país asiático, enquanto as exportações para a União Europeia foram interrompidas em setembro devido às novas exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos.

O mercado norte-americano já vinha ganhando importância para a carne brasileira. O Brasil não possui cota tarifária própria para o produto nos Estados Unidos e tradicionalmente disputa o limite destinado a outros países. Dentro da cota regular, as importações estão sujeitas a tarifa de 4,4 centavos de dólar por quilo. Acima do limite, a alíquota sobe para 26,4%, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A ampliação temporária reduz o custo de entrada para uma parcela adicional da carne brasileira e melhora as condições de acesso ao mercado norte-americano, mas permanece limitada às aparas magras contempladas pela medida. O cenário reforça a importância de manter múltiplos destinos para diferentes cortes da carne bovina, especialmente em um momento de restrições simultâneas nos mercados chinês e europeu. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.