18/Sep/2026
Os processos de abertura dos mercados do Japão e da Coreia do Sul à carne bovina brasileira avançaram para a fase documental e de trâmites internos após a conclusão das etapas presenciais de avaliação. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) não identifica, neste momento, impasses sanitários, comerciais ou políticos nos dois processos, mas considera difícil que as autorizações ocorram ainda em 2026. Japão e Coreia do Sul estão entre os principais mercados ainda fechados à carne bovina brasileira e são atendidos principalmente por fornecedores como Austrália e Estados Unidos. Cada país importa entre 600 mil e 700 mil toneladas de carne bovina por ano. Para a indústria brasileira, o acesso ampliaria a diversificação dos destinos das exportações, embora as tarifas de entrada reduzam a competitividade inicial do produto nacional.
No Japão, o processo de avaliação sanitária avançou em 2025. Entre 9 e 13 de junho daquele ano, uma missão oficial de auditores do Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca do Japão (MAFF) esteve no Brasil para avaliar o Serviço Veterinário Oficial. A programação incluiu Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná e integrou as tratativas para a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira. As sinalizações recebidas até o momento indicam que uma eventual abertura do mercado japonês poderá ocorrer inicialmente de forma regionalizada e em etapas. A indústria brasileira busca um acesso mais amplo, mas o modelo faseado vem sendo considerado pelas autoridades japonesas como parte do processo de habilitação.
Na Coreia do Sul, as negociações ganharam novo impulso em 2026. Em julho, durante visita de Estado do presidente sul-coreano Lee Jae-myung ao Brasil, os dois governos reiteraram o compromisso de avançar na avaliação de risco da carne bovina brasileira e registraram a previsão de uma missão técnica da Agência de Quarentena Animal e Vegetal da Coreia do Sul (APQA) ao País em agosto. Com a conclusão das avaliações presenciais, o processo coreano também avançou para a análise documental e os procedimentos internos. O setor produtivo vem solicitando ao governo brasileiro a manutenção das tratativas para acelerar a tramitação nos dois mercados. A conclusão da etapa presencial representa avanço em relação às fases anteriores, embora ainda não exista prazo definido para a autorização das importações.
Mesmo com eventual abertura, o acesso inicial aos dois mercados deverá ocorrer sob tarifas elevadas. A alíquota é estimada em aproximadamente 38% na Coreia do Sul e 40% no Japão, o que reduz a competitividade da carne brasileira frente aos fornecedores já estabelecidos. Ainda assim, a habilitação dos dois destinos amplia as alternativas para as exportações brasileiras e reduz a concentração da demanda em mercados atualmente atendidos pelo País. A velocidade dos processos dependerá dos trâmites internos e das análises documentais conduzidas individualmente pelas autoridades japonesas e sul-coreanas. A expectativa do setor é de avanço das negociações, mas sem previsão de conclusão ainda em 2026. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.