18/Sep/2026
A suspensão das exportações brasileiras de carne bovina para a União Europeia altera o equilíbrio de preços da cadeia porque o bloco demanda cortes diferentes daqueles destinados a mercados como China e Estados Unidos. A ausência europeia reduz a capacidade da indústria de distribuir os diferentes componentes da carcaça entre mercados com perfis distintos de consumo, afetando a formação de preços do boi tanto no mercado internacional quanto no mercado interno brasileiro. A União Europeia não é o principal destino da carne bovina brasileira em volume, mas possui peso relevante na receita e na comercialização de cortes de maior valor.
Em 2025, o bloco importou 128,9 mil toneladas de carne bovina do Brasil, com receita de US$ 1,06 bilhão, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). O volume colocou a União Europeia como o 4º principal destino da carne bovina brasileira naquele ano. A participação europeia continuou relevante em 2026. No 1º semestre, antes da suspensão, foram exportadas 51,2 mil toneladas para o bloco, com receita de US$ 452,3 milhões. Nesse período, a União Europeia foi o 3º maior destino da carne bovina brasileira em receita.
A estrutura da demanda internacional permite que diferentes mercados absorvam partes distintas do bovino. A China concentra as compras principalmente em cortes do dianteiro, enquanto os Estados Unidos adquirem, entre outros produtos, recortes utilizados na produção de carne processada. O mercado europeu, por sua vez, absorve cortes mais próximos daqueles tradicionalmente consumidos no mercado interno brasileiro. Essa segmentação é relevante para a rentabilidade da indústria porque permite destinar praticamente toda a carcaça a diferentes compradores e maximizar o valor obtido no processamento. A retirada de um mercado com demanda específica reduz as alternativas para determinados cortes e interfere no equilíbrio econômico do animal como um todo.
A indústria precisa, portanto, encontrar simultaneamente compradores para traseiro e dianteiro, em vez de considerar cada corte de forma isolada. Nesse contexto, a ampliação temporária da cota de importação dos Estados Unidos não substitui integralmente a demanda europeia. A cota norte-americana está concentrada em carne bovina magra, destinada principalmente à produção de carne moída e outros produtos processados, enquanto cortes de maior valor, como filé mignon e picanha, permanecem direcionados a outros mercados. A manutenção de diferentes destinos é necessária para equilibrar a comercialização das partes do animal e preservar a capacidade da indústria de maximizar o retorno do processamento.
O Brasil está impedido de certificar novos embarques de carne bovina para a União Europeia desde 3 de setembro, quando entraram em vigor novas exigências europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos. A Comissão Europeia condiciona a autorização dos países fornecedores à apresentação de garantias de conformidade com as regras do bloco. A suspensão, portanto, afeta não apenas o volume exportado para a Europa, mas também a composição da demanda disponível para os diferentes cortes e, consequentemente, a formação de preços da cadeia pecuária brasileira. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.