18/Sep/2026
A carne bovina brasileira pode voltar ao mercado da União Europeia (UE) no 1º semestre de 2027, embora o setor não espere uma solução para a suspensão das exportações ainda em 2026. A estratégia da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) é dividir a negociação em duas etapas: primeiro, buscar a reinclusão do Brasil na lista de países habilitados a exportar; depois, negociar um período de transição para a adequação às novas exigências europeias sobre o uso de antimicrobianos. As restrições entraram em vigor em 3 de setembro, com a aplicação de novas regras da União Europeia para importações de animais e produtos de origem animal relacionadas ao uso de antimicrobianos, previstas no Regulamento de Execução (UE) 2026/1189. Para permanecer habilitado, o país fornecedor precisa apresentar garantias de cumprimento das exigências.
O Brasil foi o único país citado nominalmente no regulamento por não ter fornecido, dentro do prazo, informações que comprovassem a adequação às novas regras. Outros 92 países ou regiões foram habilitados com base nas comprovações apresentadas. Para a carne bovina, a adequação é mais complexa porque as autoridades europeias exigem garantias relacionadas ao uso de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida do animal. A missão europeia realizada recentemente no Brasil avaliou as cadeias de aves e mel, mas não a bovina, mantendo pendente uma verificação específica sobre o sistema aplicado à pecuária de corte. Em junho, o governo brasileiro havia apresentado à União Europeia uma proposta de transição para a cadeia bovina. O modelo previa a comprovação da ausência dos produtos proibidos apenas nos nove meses finais de vida dos animais, com a implementação gradual da certificação plena do rebanho até 2029.
A proposta não foi aceita pelas autoridades europeias. Desde então, indústria, pecuaristas e certificadoras desenvolveram um novo protocolo para atender às exigências, posteriormente encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). As indústrias envolvidas já aderiram ao sistema, enquanto a Abiec e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) buscam ampliar a participação dos produtores rurais. A adesão dos pecuaristas ainda é considerada limitada. O setor também propôs ao Mapa a realização de visitas a propriedades brasileiras para verificar os procedimentos adotados. Até o momento, não houve uma missão europeia conclusiva voltada especificamente à avaliação do protocolo aplicado à bovinocultura. A validação pelas autoridades europeias da capacidade de fiscalização e certificação do Ministério é considerada uma etapa necessária para o avanço da negociação.
Após eventual reinclusão do Brasil na lista de países habilitados, a Abiec pretende negociar um período de transição que permita a retomada das exportações antes da conclusão de um ciclo completo de produção bovina. Pelas regras atualmente consideradas pela União Europeia, a adequação integral poderia levar cerca de dois anos, justamente em razão da duração do ciclo produtivo dos bovinos. A Abiec já trabalha em uma nova proposta para esse período de transição, ainda em discussão com o Mapa e sem apresentação formal às autoridades europeias. O setor avalia que a negociação de uma fase intermediária é necessária para evitar que a retomada das vendas fique condicionada à conclusão de todo o ciclo de produção sob as novas exigências. A perspectiva colocada para o comércio é, portanto, de uma possível reabertura do mercado europeu no primeiro semestre de 2027, condicionada à habilitação do Brasil, à validação dos procedimentos de controle e à negociação do período de transição. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.