17/Sep/2026
O volume de bovinos abatidos no Brasil atingiu novo recorde no segundo trimestre de 2026. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 10,72 milhões de cabeças foram abatidas de abril a junho deste ano, o maior resultado para um segundo trimestre desde o início da série histórica do Instituto, em 1997. O volume foi 1,3% superior ao registrado no mesmo período de 2025 e 6,5% maior que o observado no segundo trimestre de 2024. Em relação aos três primeiros meses deste ano, o crescimento foi de 4%. O aumento do número de bovinos abatidos também foi acompanhado por uma expansão da produção de carne. No primeiro trimestre de 2026, o peso das carcaças bovinas somou 2,63 milhões de toneladas, enquanto, no segundo trimestre, chegou a 2,75 milhões de toneladas, alta de 4,4%.
O resultado reforça o cenário de maior oferta de carne bovina pela indústria frigorífica e acompanha o elevado ritmo de abate observado no País. Esse movimento pode estar associado não apenas ao maior número de bovinos encaminhados aos frigoríficos, mas também à composição do rebanho abatido, ao peso das carcaças e aos ganhos de produtividade nos sistemas de produção, resultado de investimentos em genética, nutrição, manejo e qualidade das pastagens. De abril a junho, o abate de novilhas somou 1,834 milhão de cabeças, 8,4% a mais que no trimestre anterior (entre janeiro e março de 2026), e 4,6% acima do registrado entre abril e junho de 2025. Por outro lado, o abate de vacas totalizou 3,423 milhões de cabeças no segundo trimestre, recuos de 1,1% frente ao primeiro trimestre de 2026 e de 5% frente ao mesmo período de 2025.
Nesse contexto, o comportamento do abate de vacas e novilhas continua sendo um indicador importante para compreender o momento do ciclo pecuário. O aumento do abate dessas categorias amplia a disponibilidade de animais para a indústria no curto prazo, mas precisa ser analisado em conjunto com os movimentos de retenção de matrizes, reposição do rebanho e disponibilidade futura de bezerros. Para os próximos trimestres, a evolução do abate deve ser observada em conjunto com os preços do boi gordo, a disponibilidade de bovinos terminados, o comportamento das matrizes e a demanda dos mercados doméstico e externo. Esses fatores serão determinantes para compreender os próximos movimentos do ciclo pecuário brasileiro e acompanhar o comportamento do setor ao longo de 2026. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.