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17/Sep/2026

Boi: B3 avalia criação de contrato futuro de reposição

A B3 avalia a criação de um contrato futuro de boi magro e a ampliação do horário de negociação dos contratos de boi gordo, em resposta ao crescimento da liquidez e da participação dos agentes no mercado de derivativos pecuários. A proposta para o boi magro busca oferecer ao pecuarista uma ferramenta de proteção não apenas para o preço de venda do animal terminado, mas também para o custo de reposição, podendo ser combinada com os contratos já existentes de boi gordo e milho. O eventual contrato de boi magro ainda depende de estudos sobre a demanda e de discussões com pecuaristas, indústria, corretoras e demais participantes antes de uma possível listagem.

A combinação entre boi magro, boi gordo e milho poderia ampliar a cobertura dos custos envolvidos nas etapas de recria e confinamento, permitindo maior gestão da margem da atividade pecuária. A B3 também planeja estender o horário de negociação do boi gordo. Atualmente, as operações seguem até 16h30, quando ocorre uma parada técnica antes da abertura das negociações referentes ao dia seguinte, às 17h. A proposta prevê levar o encerramento da primeira janela para 17h10, acrescentando cerca de 40 minutos de negociação após a divulgação do preço de referência do mercado. A ampliação das iniciativas ocorre em um ambiente de forte crescimento das operações com boi gordo.

O volume médio negociado passou de aproximadamente 3 mil contratos por dia em 2020 para cerca de 11 mil atualmente. As posições em aberto, que representam os contratos mantidos pelos participantes além do próprio dia da operação, aumentaram de 7 mil em 2018 para 58 mil, avanço de 680%. A relação entre o mercado de derivativos e o mercado físico também se ampliou. Em 2025, o volume de contratos futuros e de opções negociados na B3 correspondeu a cerca de 95% do volume estimado de abate bovino no País, ante aproximadamente 70% em 2024 e 60% em 2023. O cálculo considera um abate nacional equivalente a 11,85 milhões de toneladas em 2025.

Parte do aumento da liquidez é associada à mudança do indicador de referência do contrato, implementada entre o fim de 2024 e o início de 2025, além de alterações promovidas pela B3, como a redução das margens exigidas nas operações e a simplificação das regras para formadores de mercado. A valorização do boi gordo também contribuiu para ampliar a demanda por instrumentos de proteção. A arroba passou de aproximadamente R$ 198,00 em janeiro de 2020 para a faixa de R$ 345,00 a R$ 350,00 atualmente. Nos contratos com vencimento em novembro e dezembro, os preços indicavam valores entre R$ 380,00 e R$ 385,00 por arroba.

A B3 também busca ampliar a liquidez do mercado de opções de boi gordo, ainda menos desenvolvido que o segmento de contratos futuros. A estratégia envolve a atração de formadores de mercado e de novos participantes, com foco em pecuaristas, investidores estrangeiros e gestores de recursos. As pessoas físicas já representam cerca de 40% do volume diário negociado no contrato. Apesar do avanço dos negócios, a participação direta dos pecuaristas ainda apresenta espaço para crescimento. A utilização de derivativos como instrumento de gestão e proteção de preços permanece limitada entre produtores, enquanto investidores estrangeiros e institucionais representam outro grupo com potencial de ampliação da exposição ao mercado brasileiro de carne bovina. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.