17/Sep/2026
A China deve voltar a intensificar as compras de carne bovina brasileira entre o fim de setembro e o início de outubro, com o objetivo de receber as cargas a partir de janeiro, quando começa a vigorar a cota de importação de 2027. A retomada das compras chinesas deve ocorrer no quarto trimestre, após a forte desaceleração provocada pelo limite estabelecido pela China para 2026. A cota brasileira de carne bovina para 2026 é de 1,106 milhão de toneladas, sujeita à tarifa normal de importação de 12%. Sobre o volume que exceder esse limite, incide uma tarifa adicional de 55%. Para 2027, a cota sobe para 1,128 milhão de toneladas. O setor brasileiro considera que o limite de 2026 já foi atingido ao incluir cargas embarcadas e ainda em trânsito, embora a contabilização oficial chinesa ocorra somente na entrada do produto no país.
A redução das compras chinesas ficou mais evidente em agosto, quando a China importou 18,9 mil toneladas de carne bovina brasileira, queda de 88,2% ante igual mês de 2025, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). A desaceleração da demanda chinesa também afetou o mercado do boi gordo. O boi gordo chegou à região de R$ 325,00 por arroba, mas recuperou cerca de R$ 25,00 por arroba em menos de duas semanas e voltou para perto de R$ 350,00 por arroba, em um movimento associado à expectativa de retomada das compras chinesas e à transição para o novo ciclo de importações. O preço médio do boi gordo em São Paulo é R$ 352,37 por arroba. Na B3, os contratos para os meses seguintes permaneceram acima do mercado físico, com outubro a R$ 375,85 por arroba, novembro a R$ 383,20 por arroba, dezembro a R$ 383,35 por arroba e janeiro de 2027 a R$ 386,15 por arroba.
A expectativa de retomada das compras chinesas também é observada entre os participantes do mercado. Exportadores brasileiros já voltaram a oferecer carne para entrega dentro da cota de 2027, enquanto compradores chineses começaram a negociar cargas com chegada prevista para janeiro, segundo informações de participantes do mercado ouvidos pela S&P Global em setembro. A evolução da demanda chinesa, porém, não será o único determinante para os preços do boi gordo. A demanda dos Estados Unidos, o consumo doméstico brasileiro e, principalmente, o comportamento do câmbio também deverão influenciar a intensidade do movimento. O cenário indica potencial de valorização, mas a magnitude da alta dependerá da combinação desses fatores, que podem tanto sustentar uma elevação mais forte quanto limitar o avanço das cotações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.