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17/Sep/2026

Boi: Frigol alerta sobre corrida pela cota chinesa

Segundo a Frigol, uma concentração excessiva dos embarques brasileiros de carne bovina para a China no início de 2027 pode antecipar o preenchimento da cota destinada ao Brasil e provocar nova interrupção das vendas ao principal comprador do País. A indústria precisará distribuir os embarques de forma mais regular ao longo do ano para evitar uma ruptura semelhante à observada em 2026. A China estabeleceu uma cota de 1,106 milhão de toneladas para a carne bovina brasileira em 2026. Dentro desse volume, permanece a tarifa normal de importação de 12%. Acima do limite, é acrescentada uma tarifa de 55 pontos porcentuais. A medida de salvaguarda vigora de 2026 a 2028 e prevê aumento gradual das cotas ao longo do período. O ritmo de utilização da cota em 2026 evidenciou o risco de concentração dos embarques.

Em 9 de maio, o Brasil havia utilizado 50% da cota; em 21 de julho, 80%; e, em 10 de agosto, 90%, segundo comunicados oficiais do Ministério do Comércio da China. A aproximação do limite levou os exportadores a desacelerar os embarques e contribuiu para a queda das exportações brasileiras de carne bovina em agosto. A substituição da China não envolve apenas encontrar compradores para o mesmo volume. A concentração no mercado chinês simplifica a operação industrial, uma vez que vários clientes demandam produtos com especificações semelhantes. Com a necessidade de distribuir a carne entre 10 ou 15 mercados diferentes, aumentam a variedade de padrões de produção, a complexidade operacional e os custos, enquanto diminui a capacidade de repasse de preços. A China permanece como principal mercado em termos de contribuição para as margens da Frigol.

A estratégia considerada mais adequada pela empresa é distribuir as vendas ao longo dos 12 meses, com volumes mais cadenciados. Esse modelo tende a reduzir oscilações na compra de gado, ampliar a previsibilidade para o produtor e evitar que uma corrida inicial pelo produto eleve os preços na China e seja seguida, meses depois, por uma paralisação das compras. A exposição ao mercado chinês teve impacto relevante nos resultados da Frigol em 2026. No segundo trimestre, a companhia registrou receita líquida recorde de R$ 1,55 bilhão, alta de 57,6% ante igual período de 2025. Parte do desempenho foi atribuída aos preços mais altos na China e à estratégia de aproveitamento da cota disponível. O Ebitda, contudo, recuou 65,7%, para R$ 52,9 milhões, com margem de 3,4%, pressionado pelos custos mais elevados da arroba.

A Frigol também ampliou a capacidade de redirecionamento da produção. A companhia passou a industrializar animais em três unidades parceiras em Rondônia, sendo duas em Ji-Paraná e uma em Rolim de Moura. Os acordos ampliaram a origem do gado utilizado pela empresa e o acesso a mercados como Estados Unidos, Canadá, China, Israel e Chile. A restrição chinesa não elimina a importância estrutural do país para a carne bovina brasileira. A dificuldade da China em elevar rapidamente a própria produtividade pecuária mantém a necessidade de importações no longo prazo. Nesse contexto, o principal desafio para a indústria brasileira é administrar o volume disponível e evitar a concentração excessiva da comercialização nos primeiros meses de cada cota. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.