17/Sep/2026
Uma missão sanitária da China chegará ao Brasil em 20 de setembro para avaliar frigoríficos e poderá abrir caminho para a habilitação de novas plantas, a reabilitação de unidades suspensas e a ampliação das vendas de produtos de origem animal ao mercado chinês. A agenda está prevista para ocorrer até 28 de setembro e incluirá frigoríficos, laboratórios e propriedades rurais. Os técnicos chineses deverão percorrer diferentes regiões do País, do Rio Grande do Sul a Rondônia, com avaliações relacionadas a miúdos bovinos e suínos, estabelecimentos atualmente suspensos e novas unidades interessadas em exportar.
A missão não implica liberação automática das plantas, já que os técnicos deverão verificar os controles sanitários adotados pelas empresas e pelo sistema brasileiro antes de eventual decisão das autoridades chinesas. A visita ocorre em meio a uma sequência de negociações sanitárias entre Brasil e China ao longo de 2026. Em maio, o governo brasileiro solicitou a Pequim a habilitação de frigoríficos para exportação. Na mesma ocasião, a China reabilitou três frigoríficos de carne bovina que estavam suspensos desde março de 2025. Dias depois, porém, as autoridades chinesas suspenderam temporariamente outras unidades brasileiras após a identificação de resíduos em desacordo com as exigências sanitárias do país.
As negociações também avançaram para novos produtos de origem animal. Em maio, Brasil e China chegaram a entendimentos técnicos sobre os requisitos para a exportação de miúdos suínos. Em junho, a China reconheceu todo o território brasileiro como livre de febre aftosa, ampliando as possibilidades de acesso para produtos como miúdos e carnes com osso. Em julho, os dois países assinaram protocolo sanitário permitindo a exportação de cálculos biliares bovinos brasileiros. A China permanece como principal destino da carne bovina brasileira, embora os embarques tenham desacelerado após o esgotamento da cota tarifária estabelecida pela China para 2026.
Entre janeiro e agosto, o mercado chinês recebeu 899,2 mil toneladas, equivalentes a 40,8% das exportações brasileiras de carne bovina no período. Somente em agosto, os embarques brasileiros de carne bovina para a China recuaram 88,2% ante igual mês de 2025, para 18,9 mil toneladas. O volume que ultrapassa a cota anual de 1,106 milhão de toneladas fica sujeito a tarifa adicional de 55%. A missão sanitária representa uma etapa adicional das negociações entre os dois países e poderá definir novas oportunidades de habilitação e reabilitação de plantas brasileiras. A ampliação do número de estabelecimentos autorizados e de produtos elegíveis dependerá dos resultados das avaliações técnicas e das decisões posteriores das autoridades chinesas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.