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17/Sep/2026

Boi: setor cobra diálogo comercial entre Brasil e UE

A Associação Nacional dos Confinadores (Assocon) criticou as barreiras impostas pela União Europeia a produtos brasileiros e defendeu maior diálogo comercial entre o bloco e o Brasil. A avaliação é de que a competitividade do agronegócio brasileiro tende a continuar gerando resistência em países e regiões que disputam os mesmos mercados. A manifestação ocorre em um período de atrito entre Brasil e União Europeia na área de proteínas animais. Desde 3 de setembro, o bloco passou a exigir o cumprimento de regras sobre o uso de medicamentos antimicrobianos na produção animal, medida que resultou na retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina, de frango e suína, além de mel, pescado e ovos para o mercado europeu. O governo brasileiro classificou a medida como motivo de profunda preocupação e mantém negociações técnicas e políticas com autoridades europeias para tentar reverter a suspensão.

A restrição não é consensual dentro do continente europeu. O Reino Unido, que deixou a União Europeia com o Brexit, decidiu manter as compras de carne brasileira e conduzir auditoria própria sobre o sistema sanitário nacional, com prazo até fevereiro de 2027 para concluir a avaliação sobre a manutenção do mercado aberto. A Itália defendeu nesta semana a redução de barreiras comerciais com o Brasil e a busca de diálogo diplomático para equacionar o impasse, embora entidades locais de produtores tenham se posicionado a favor da suspensão europeia sob o argumento de reciprocidade comercial. A competitividade do agronegócio brasileiro tende a continuar provocando resistência entre concorrentes internacionais, especialmente em mercados nos quais produtores locais enfrentam dificuldades para competir.

A avaliação também incluiu críticas à postura da União Europeia e à manutenção de barreiras comerciais e sanitárias. A ampla presença da carne bovina brasileira no mercado internacional reduz a exposição do setor a destinos específicos. Em 2025, o produto brasileiro alcançou 177 países. Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) mostram que o Brasil exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina para 177 países no ano passado, volume 20,9% superior ao de 2024. A receita alcançou US$ 18 bilhões. A China foi o principal destino da carne bovina brasileira, com 1,68 milhão de toneladas em 2025, seguida por Estados Unidos, com 271,8 mil toneladas; Chile, com 136,3 mil toneladas; União Europeia, com 128,9 mil toneladas; e Rússia, com 126,4 mil toneladas. A diversificação geográfica reduz a dependência de um único mercado e amplia a capacidade de absorção da produção brasileira diante de alterações nas condições de acesso a determinados destinos.

O confinamento brasileiro também avançou em eficiência e passou a ser utilizado como referência internacional. Produtores nacionais que anteriormente utilizavam Estados Unidos e Austrália como principais referências desenvolveram sistemas próprios e elevaram o nível técnico da atividade, contribuindo para o aumento da competitividade e para a expansão dos destinos das exportações. O cenário reforça a necessidade de maior coordenação entre os diferentes elos da cadeia da carne bovina. A integração entre produtores, indústria e demais agentes do setor é relevante para ampliar a competitividade, preservar margens positivas ao pecuarista e reduzir a exposição aos impactos de novas barreiras sanitárias e comerciais em outros mercados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.