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17/Sep/2026

Boi: impacto de canetas emagrecedoras no consumo

O impacto dos medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras sobre o consumo de carne bovina no Brasil ainda é mais discutido do que observado na prática, mas tende a se tornar mais perceptível a partir de 2027, à medida que o acesso aos tratamentos aumenta. Para a indústria frigorífica, a disseminação dos medicamentos pode influenciar o mercado de alimentos por meio de mudanças no volume consumido, na composição das refeições e no tamanho das porções. Levantamento da McKinsey em parceria com a Scanntech ouviu mais de 2 mil pessoas entre março e abril e apontou que cerca de 6% dos adultos entrevistados utilizavam medicamentos GLP-1. Entre os usuários, 50% afirmaram consultar informações nutricionais dos alimentos, ante 15% entre os não usuários, indicando uma diferença no comportamento de compra e na atenção às características dos produtos.

A tendência pode ganhar escala com a ampliação da oferta desses medicamentos. A patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, expirou no Brasil em 20 de março. Em julho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou cinco novos medicamentos injetáveis à base da substância e, em agosto, aprovou outros dois. Para a indústria de carne bovina, o efeito potencial não se limita à possibilidade de os usuários dos medicamentos consumirem mais ou menos carne. A expansão dos tratamentos pode alterar a composição das refeições, o tamanho das porções e os atributos considerados pelos consumidores na escolha dos alimentos, ampliando a importância das informações nutricionais na comercialização.

Nesse cenário, a indústria frigorífica tende a precisar aprofundar a comunicação sobre as características nutricionais da carne. Além da quantidade total de proteína, ganham relevância informações relacionadas aos aminoácidos e a outros componentes nutricionais. Pesquisas já estão sendo desenvolvidas para ampliar a compreensão sobre diferentes tipos de proteínas e seus componentes, o que pode contribuir para uma comunicação mais detalhada com o consumidor. A evolução do uso dos medicamentos GLP-1, portanto, pode criar novas demandas para a cadeia da carne bovina a partir de 2027, especialmente em relação à composição dos produtos, às informações nutricionais e ao comportamento de consumo. O avanço da oferta dos tratamentos será um dos fatores a acompanhar na avaliação dos possíveis impactos sobre a demanda doméstica. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.