ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

17/Sep/2026

Boi: Mercosul deve liderar recomposição da oferta

O Mercosul está mais bem posicionado do que outros grandes produtores para recompor a oferta de carne bovina nos próximos anos, após a redução dos rebanhos em diferentes regiões do mundo. A recuperação tende a ocorrer mais rapidamente na América do Sul do que nos mercados desenvolvidos, em razão do ciclo longo da pecuária e da necessidade de recomposição dos plantéis. A redução dos rebanhos ocorreu de forma relativamente sincronizada entre importantes produtores, enquanto o ciclo pecuário limita a velocidade de recuperação da oferta. Nesse cenário, a capacidade de expansão do Mercosul ganha relevância no abastecimento global, especialmente diante da menor disponibilidade de animais para abate em diferentes regiões produtoras.

O movimento já aparece nos países vizinhos do Brasil. Argentina, Uruguai e Paraguai registram o menor abate combinado de bovinos em pelo menos 15 anos. A Datagro também observa redução no abate de fêmeas entre os principais produtores do bloco, indicando maior retenção de matrizes para a recomposição dos plantéis. Historicamente, Paraguai ou Uruguai conseguiam ampliar a oferta quando havia menor disponibilidade em outro país da região. Atualmente, porém, os três países enfrentam simultaneamente um abate mais restrito, reduzindo a capacidade de compensação dentro do próprio Mercosul. O aperto da oferta global deve continuar em 2027. A retração, inicialmente mais concentrada nos Estados Unidos, começa a atingir outros grandes exportadores e amplia a importância do comércio internacional para o abastecimento dos principais mercados consumidores.

A menor disponibilidade em diferentes regiões tende a elevar a dependência dos grandes importadores em relação aos países com capacidade de exportação. No Brasil, a mudança do ciclo pecuário também começa a aparecer. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta queda da produção de carne bovina de 11,84 milhões de toneladas em 2026 para 11,41 milhões de toneladas em 2027, em um cenário de maior retenção de fêmeas e menor disponibilidade de bovinos para abate. Mesmo com a retração da produção, as exportações são estimadas em 4,843 milhões de toneladas em 2027, acima das 4,73 milhões de toneladas previstas para 2026. Parte da redução no número de bovinos tende a ser compensada por ganhos de produtividade. Com menor disponibilidade de gado e maior oferta de alimentação, a projeção é de aumento do peso médio dos animais enviados aos frigoríficos.

A tendência é de que os principais produtores elevem o peso de abate como mecanismo de compensação parcial da menor oferta de bovinos. O Brasil também conta com a dimensão do mercado doméstico como fator de sustentação. A Austrália destina cerca de 70% de sua produção ao mercado externo e, por isso, apresenta maior exposição às oscilações do comércio internacional. O Brasil, além de ser o maior exportador mundial, mantém capacidade de absorver parcela relevante da produção internamente quando as vendas externas diminuem, proporcionando maior flexibilidade entre os mercados doméstico e externo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.