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16/Sep/2026

Boi: retenção de fêmeas reduzirá oferta de carne em 2027

Segundo projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a virada do ciclo pecuário, marcada pelo início de uma fase de maior retenção de fêmeas para reprodução, deve reduzir em 7,4% a disponibilidade de carne bovina no mercado brasileiro em 2027, para 6,64 milhões de toneladas. A oferta por habitante deverá recuar 7,9%, de 34,6 quilos neste ano para 31,9 quilos no próximo, refletindo a combinação entre menor produção e aumento da retenção de matrizes. O movimento ocorre após quase três anos de descarte elevado de vacas, período que contribuiu para levar a produção brasileira de carne bovina a volumes recordes. A mudança de fase do ciclo pecuário está associada à recuperação dos preços dos bezerros, que aumenta a rentabilidade da atividade de cria e estimula os pecuaristas a preservar fêmeas para reprodução.

Com menos vacas destinadas ao abate, a disponibilidade de carne tende a diminuir. A produção brasileira, que atingiu recorde de 11,93 milhões de toneladas em 2025, é estimada pela Conab em 11,84 milhões de toneladas em 2026 e em 11,41 milhões de toneladas em 2027, queda de 3,6% no próximo ano. O rebanho também deverá recuar 4,1% em 2027, reforçando a perspectiva de menor oferta de animais para abate. A redução da disponibilidade no mercado doméstico deverá ocorrer mesmo com a continuidade do crescimento das exportações. A Conab projeta embarques de 4,83 milhões de toneladas em 2027, alta de 2,2% ante as 4,73 milhões de toneladas estimadas para 2026. O avanço, contudo, tende a ser mais limitado diante das restrições impostas pelo principal destino da carne bovina brasileira.

A China responde por mais da metade das exportações brasileiras de carne bovina, o que torna o mercado chinês determinante para o equilíbrio da demanda externa. O regime de salvaguardas adotado pelo país prevê cota de 1,1 milhão de toneladas sob a tarifa vigente e aplicação de sobretaxa de 55% sobre os volumes que excederem esse limite. A concentração das vendas no mercado chinês reduz a capacidade de compensar rapidamente eventuais restrições de acesso por meio de outros destinos. Com a menor disponibilidade de bovinos em 2027, a Conab projeta sustentação dos preços da arroba e maior substituição da carne bovina por proteínas de menor custo. O movimento tende a favorecer principalmente as carnes de frango e suína, cujas produções devem continuar avançando.

A produção brasileira de carne de frango é estimada em 16,70 milhões de toneladas em 2027, alta de 2,4%, enquanto a produção de carne suína deve alcançar 6,15 milhões de toneladas, aumento de 3,7%. O cenário reforça a tendência de maior participação das proteínas concorrentes na composição do consumo doméstico, diante da menor oferta e dos preços potencialmente mais elevados da carne bovina. A mudança do ciclo pecuário, portanto, deverá produzir efeitos simultâneos sobre oferta, preços e composição do consumo de proteínas no Brasil. A retenção de matrizes reduz a oferta de curto prazo, mas constitui um movimento de recomposição do rebanho que poderá estabelecer as bases para uma recuperação futura da produção bovina. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.