16/Sep/2026
Segundo o Itaú BBA, a menor oferta de boi gordo no Brasil e a expectativa de retomada das negociações com a China sustentaram os preços e levaram os contratos futuros de novembro e dezembro às máximas do ano, próximos de R$ 385,00 por arroba no dia 9 de setembro. Os vencimentos estavam quase R$ 30,00 por arroba acima dos níveis observados um mês antes, enquanto o boi gordo no mercado físico era negociado próximo de R$ 350,00 por arroba. A valorização ocorreu mesmo diante da forte retração das compras chinesas. Em agosto, o Brasil exportou 16 mil toneladas de carne bovina para a China, queda de 90% ante igual mês de 2025. Os embarques totais de carne bovina somaram 196 mil toneladas, recuo de 27% na mesma comparação. Apesar da redução, permanece a expectativa de retomada das negociações de animais destinados à exportação para a China entre outubro e novembro, com foco no preenchimento da cota de 2026.
No mercado doméstico, a redução dos abates contribuiu para a recomposição das cotações. O Itaú BBA estima queda de aproximadamente 20% nos abates sob inspeção federal em agosto ante julho. Com a oferta mais restrita, a média do boi gordo em São Paulo avançou 3,3% no mês, para R$ 345,90 por arroba. A menor disponibilidade de animais permitiu ao mercado físico recuperar equilíbrio, mesmo com o enfraquecimento das exportações para a China. A valorização do boi gordo, entretanto, pressionou as margens da indústria no mercado interno. O spread entre o boi gordo e a carcaça casada recuou de 7,1% em julho para 5,5% em agosto, em linha com o comportamento observado nos dois anos anteriores. No mercado de reposição, os preços permaneceram relativamente estáveis. O bezerro em Mato Grosso do Sul foi cotado a R$ 3.380,00 por cabeça na média de agosto, alta de 18,5% ante igual mês de 2025.
O ritmo de valorização superou os 12,7% registrados pelo boi gordo em São Paulo no mesmo período. A diversificação dos destinos de exportação também contribuiu para compensar parcialmente a retração das compras chinesas. Estados Unidos, Chile, Rússia, Egito e Arábia Saudita estão entre os mercados que ampliaram sua participação. Nos Estados Unidos, a suspensão por 90 dias da tarifa extra-cota de 26,4% sobre importações provenientes de países sem acordo comercial melhorou as perspectivas para os embarques brasileiros. A medida tende a favorecer as exportações brasileiras a partir de setembro e a reduzir parcialmente o impacto da menor demanda chinesa no período. A Indonésia também ampliou o acesso à carne bovina brasileira, aumentando de 52 para 73 o número de frigoríficos habilitados. Até agosto, o Brasil havia exportado 23 mil toneladas para o país, aumento de 51% ante igual período de 2025. Para os Estados Unidos, os embarques alcançaram 241 mil toneladas, alta de 37% na mesma comparação.
A combinação entre menor oferta doméstica e maior diversificação dos mercados externos sustenta a perspectiva de preços mais firmes para o boi gordo até o fim do ano. O escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no Brasil projeta queda de 3,2% na produção brasileira de carne bovina em 2026, para 12,2 milhões de toneladas, e redução de 5,3% nas exportações, para 4,15 milhões de toneladas. Para 2027, a estimativa contempla novas retrações, de 1,6% na produção e de 1,2% nos embarques. O cenário combina restrição da oferta de animais, recuperação dos preços domésticos, pressão sobre as margens da indústria e maior diversificação das exportações. A eventual retomada das compras chinesas entre outubro e novembro representa fator adicional de sustentação para as cotações, especialmente diante da perspectiva de menor produção e de redução dos embarques brasileiros em 2026 e 2027. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.