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16/Sep/2026

Suíno: Brasil eleva exportações a destinos asiáticos

As Filipinas superaram a China entre os principais destinos da carne suína brasileira, em um movimento de diversificação dos mercados externos que sustenta a perspectiva de crescimento das exportações mesmo com a redução da demanda chinesa. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta embarques de 1,65 milhão de toneladas em 2027, aumento de 4,2% ante as 1,59 milhão de toneladas estimadas para 2026. A China, que nos últimos anos respondeu por mais da metade das exportações brasileiras de carne suína, passou para a segunda posição entre os destinos. A redução da demanda chinesa ocorre após a recomposição do rebanho local, que havia sido fortemente afetado pela peste suína africana. Em contrapartida, as Filipinas e outros mercados do Sudeste Asiático passaram a absorver volumes maiores da proteína brasileira.

Além das Filipinas, Japão, Coreia do Sul e Singapura ganharam relevância entre os destinos das exportações. A diversificação reduz a dependência do mercado chinês e permite ao Brasil ampliar os embarques mesmo diante da diminuição da demanda do maior consumidor mundial de carne suína. A expansão das exportações deverá ocorrer simultaneamente ao aumento da produção doméstica. A Conab estima produção de 6,15 milhões de toneladas de carne suína em 2027, alta de 3,7% ante as 5,93 milhões de toneladas previstas para 2026. A disponibilidade interna deverá crescer 3,6%, para 4,52 milhões de toneladas, enquanto a oferta por habitante avançará 3%, para 21,7 quilos por ano, o maior nível da série histórica da companhia. O aumento da disponibilidade de carne suína também deverá ser favorecido pela menor oferta de carne bovina.

A Conab projeta queda de 7,4% na disponibilidade interna de carne bovina em 2027, em decorrência do avanço da retenção de fêmeas para reprodução e da consequente redução dos animais destinados ao abate. Esse movimento tende a ampliar a substituição entre proteínas e abrir espaço para o crescimento do consumo de carne suína e de frango. Apesar da perspectiva favorável para a demanda, a expansão da oferta mantém pressão sobre as margens dos produtores. Os preços reais do suíno vivo atingiram, em algumas regiões, um dos menores níveis das últimas décadas em 2026, comprimindo principalmente a rentabilidade dos produtores independentes. O reequilíbrio da cadeia em 2027 dependerá da moderação do crescimento dos alojamentos e da continuidade da expansão dos mercados externos. Os custos de alimentação permanecem como outro ponto de atenção para a suinocultura.

Milho e farelo de soja representam a maior parcela dos custos de produção de aves e suínos, tornando as margens sensíveis às oscilações dos preços desses insumos. Eventuais impactos do El Niño sobre as safras podem aumentar a volatilidade das cotações de milho e soja e elevar a pressão sobre os custos ao longo de 2027. O cenário para a carne suína brasileira combina, portanto, expansão da produção, maior disponibilidade doméstica e crescimento das exportações, sustentados pela abertura de novos mercados. A diversificação geográfica dos embarques reduz parcialmente a dependência da China, enquanto a menor oferta de carne bovina cria uma oportunidade adicional para o consumo interno, desde que o crescimento da produção seja compatível com a capacidade de absorção do mercado e com a manutenção das margens. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.