16/Sep/2026
Segundo o Itaú BBA, o preço do suíno vivo recuou para R$ 4,78 por quilo em agosto, considerando a média ponderada entre a Região Sul e Minas Gerais, enquanto o custo de terminação foi estimado em cerca de R$ 6,30 por quilo. A diferença resultou em prejuízo de aproximadamente R$ 180,00 por cabeça. A margem da atividade, calculada pela relação entre o preço recebido pelo produtor e o custo de terminação, caiu para -32%, ante -19% em julho e +27% em agosto de 2025. Em São Paulo, no atacado, a meia carcaça suína recuou 10,6% em agosto, para R$ 7,27 por quilo, valor 43% inferior ao registrado um ano antes. O movimento reflete o aumento da disponibilidade de carne e a dificuldade de absorção da produção adicional pelo mercado doméstico e pelas exportações. O crescimento da produção explica parcela relevante do desequilíbrio.
No segundo trimestre, os abates de suínos aumentaram 3,2% ante igual período de 2025, enquanto a produção de carne avançou 4,8%, favorecida pelo maior peso das carcaças. Com as exportações crescendo em ritmo mais moderado, a disponibilidade interna aumentou 5,4%. Em agosto, as exportações brasileiras de carne suína somaram 115 mil toneladas, alta de 6,9% na comparação anual. O crescimento, contudo, não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. No acumulado até agosto, os embarques avançaram 7,5%, mantendo expansão, mas ainda em ritmo inferior ao necessário para reduzir de forma significativa o excedente doméstico. A perspectiva para a suinocultura permanece de recuperação lenta. O baixo nível atual dos preços, combinado à continuidade da expansão da oferta, deve impedir uma correção rápida dos desequilíbrios do mercado.
O escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no Brasil projeta aumento de 8,4% da produção brasileira de carne suína em 2026 e de mais 1,9% em 2027, alcançando 5,25 milhões de toneladas. As exportações de carne suína são estimadas em 1,8 milhão de toneladas em 2026, alta de 5% ante 2025, com crescimento adicional de 2,8% em 2027. O quadro para as proteínas animais permanece, portanto, bastante distinto entre os segmentos: o frango mantém perspectiva favorável nas exportações, com possibilidade de redirecionamento dos volumes destinados à União Europeia, enquanto a suinocultura enfrenta maior pressão da oferta doméstica e deve depender de uma recuperação gradual da demanda para recompor preços e margens. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.