11/Sep/2026
Integrantes do governo brasileiro avaliam como negativa a restrição da União Europeia às carnes e aos produtos de origem animal do Brasil, mas não identificam risco de crise para o setor. Desde 3 de setembro, as exportações brasileiras de carnes e produtos de origem animal para os países europeus estão suspensas. Em maio deste ano, a Comissão Europeia retirou o Brasil da lista de fornecedores autorizados a atender à legislação europeia relacionada ao controle e ao uso de antimicrobianos. A medida alcança as cadeias de carne bovina, frango, mel, pescados, ovos e demais produtos de origem animal. Uma parcela do Executivo considera que os exportadores brasileiros possuem mercados alternativos para redirecionar os embarques. A avaliação é de que o setor tem capacidade para realocar volumes e avançar na abertura de novos mercados, permitindo administrar os efeitos da suspensão europeia.
Apesar da avaliação oficial de que os impactos podem ser absorvidos, a indústria de carnes demonstra maior preocupação com a possibilidade de entraves prolongados no mercado europeu, especialmente porque o bloco proporciona remunerações superiores às de outros destinos. O Brasil exporta aproximadamente US$ 1,8 bilhão por ano em proteínas para a União Europeia, o que torna a retomada do fluxo comercial relevante para as margens das cadeias envolvidas. Na avicultura, a principal preocupação está concentrada no peito de frango, que representa 25% do peso e do valor do produto. A União Europeia é o principal destino do peito de frango brasileiro, e os exportadores não identificam canais imediatos capazes de absorver e redirecionar os volumes destinados ao bloco. Na carne bovina, um dos principais impactos é a perda de acesso a um mercado com margens superiores às de outros destinos.
O preço médio pago pela União Europeia é cerca de US$ 3 mil por tonelada acima da média do mercado internacional. O governo brasileiro busca reverter a exclusão e evitar uma interrupção prolongada do comércio. A União Europeia exige garantias de que as carnes exportadas ao bloco estejam livres de determinados antimicrobianos e em conformidade com a regulamentação europeia. Para atender às exigências, o Brasil adotou, desde 1º de julho, novos procedimentos de controle do uso de antimicrobianos nas cadeias de proteínas e de produtos de origem animal. A União Europeia informou que validaria os novos procedimentos por meio de inspeções presenciais no Brasil. A primeira auditoria foi concluída na semana passada, com a aprovação, pelas autoridades sanitárias europeias, dos controles adotados pelo Brasil nas cadeias avícola e de mel. Ainda não há prazo definido para a conclusão de todo o processo e para uma eventual retomada das exportações brasileiras ao bloco.
Apesar das iniciativas do governo brasileiro para preservar o fluxo comercial, a expectativa é de que a suspensão das exportações de proteínas permaneça durante os próximos meses. Para frango e mel, a exclusão do Brasil da lista de fornecedores autorizados pode ser revertida em novembro, após a conclusão da auditoria europeia na produção nacional e a análise pelas instâncias competentes. Para a carne bovina, entretanto, o período de suspensão pode ser significativamente mais longo. A cadeia brasileira pode permanecer fora do mercado europeu até meados de 2028, em razão do maior tempo necessário para adaptação às exigências sanitárias, associado ao ciclo de vida mais longo dos animais. Esse diferencial amplia o risco de perda de mercado para a bovinocultura e aumenta a importância da diversificação de destinos enquanto o processo de adequação e validação dos controles brasileiros avança. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.