11/Sep/2026
Segundo o Rabobank, a expansão do etanol de milho deve aumentar a disputa pelo cereal no mercado interno, mas não tende a limitar a oferta de ingredientes para sustentar o crescimento da produção brasileira de carnes até 2031. O aumento da oferta de farelo de soja, grãos secos de destilaria (DDGS) e sorgo será suficiente para compensar parte do milho absorvido pelas usinas e ampliar as alternativas para alimentação de bovinos, aves e suínos. O avanço dos biocombustíveis vem elevando o processamento de milho e soja e, consequentemente, a disponibilidade de coprodutos destinados à alimentação animal. O movimento marca uma nova etapa para o agronegócio brasileiro, na qual a expansão dos biocombustíveis, os ganhos de produtividade agrícola e o maior processamento ampliam tanto o volume quanto a diversidade dos ingredientes disponíveis para formulação de rações.
A alimentação representa a maior parcela dos custos operacionais da produção de carnes, alcançando entre 70% e 80% nos confinamentos bovinos, cerca de 72% na suinocultura de Santa Catarina no primeiro semestre de 2026 e aproximadamente 63% na avicultura do Paraná. Nesse contexto, a disponibilidade e a competitividade dos ingredientes de ração são determinantes para a manutenção das margens e para a expansão da produção de proteína animal. Mesmo em um cenário conservador para o uso de DDGS e sorgo, a oferta de ingredientes deve permanecer acima das necessidades da indústria nos próximos anos. Esse balanço tende a reforçar a competitividade de longo prazo do Brasil na produção de proteína animal, ao reduzir a dependência de um único ingrediente e ampliar a capacidade de substituição entre matérias-primas. No milho, a expansão do etanol reduz a parcela do cereal disponível para utilização direta em ração, mas simultaneamente gera DDGS, coproduto que concentra energia, proteína, fibra e outros nutrientes e pode substituir parte do milho e do farelo de soja nas formulações.
A oferta brasileira de DDGS cresceu, em média, 21% ao ano nos últimos cinco anos e deve atingir 8 milhões de toneladas em 2031. O potencial de substituição varia de acordo com a espécie, podendo representar de 20% a 30% da matéria seca em bovinos confinados, de 10% a 20% em suínos e de 5% a 15% em frangos. O aumento da produção de DDGS, entretanto, não representa simplesmente uma adição de grãos disponíveis para alimentação animal, pois o coproduto é gerado justamente pelo maior processamento do milho para produção de etanol. O efeito esperado é uma alteração na composição das rações, com menor participação relativa do milho utilizado diretamente e maior presença de ingredientes alternativos. Essa mudança já aparece na estrutura das formulações brasileiras: milho e farelo de soja continuam como principais bases da alimentação animal, mas a participação do milho diminuiu entre 2017 e 2025, enquanto os coprodutos ganharam espaço.
A produção de milho também tende a continuar crescendo com o uso mais intensivo das áreas cultivadas, principalmente por meio do sistema de 2ª safra. A irrigação deve ganhar importância em regiões nas quais o regime de chuvas ainda limita a realização de duas colheitas no mesmo ano. Mesmo com o aumento da oferta, os preços do milho tendem a permanecer sustentados, principalmente pela expansão da demanda das usinas de etanol. Na soja, o avanço do biodiesel deve produzir efeito semelhante sobre a disponibilidade de farelo. A maior demanda por óleo tende a estimular o esmagamento do grão e, como consequência, elevar a produção de farelo de soja. Caso o Brasil alcance a mistura obrigatória de 20% de biodiesel no diesel, prevista para 2030, o processamento de soja poderia chegar a cerca de 69 milhões de toneladas, com aumento de aproximadamente 5 milhões de toneladas na produção de farelo em relação ao volume estimado para 2025. O cronograma da mistura pode sofrer adiamentos, mas a expansão do processamento tende a se concretizar mesmo nesse cenário.
Como a oferta de farelo deve crescer mais rapidamente do que a demanda, a expectativa é de manutenção da competitividade do produto para alimentação animal. O sorgo completa a diversificação da cesta de ingredientes. A produção brasileira, estimada em 6 milhões de toneladas na safra 2025/26, deve alcançar 10 milhões de toneladas em 2031. O cereal tende a ganhar espaço principalmente em regiões ou períodos nos quais o regime de chuvas ou atrasos no calendário da soja reduzem a viabilidade do cultivo de milho de 2ª safra. A combinação entre milho, farelo de soja, DDGS e sorgo amplia a capacidade dos produtores de ajustar as formulações de acordo com preços e disponibilidade, limitando o aumento do custo da alimentação quando milho ou farelo de soja apresentam valorização. Essa estrutura contribui para sustentar a posição do Brasil no comércio mundial de carnes. O País responde por cerca de 15% da produção global de carne bovina e por mais de 22% das exportações; no frango, por aproximadamente 11% da produção e quase 34% do comércio global; e, na carne suína, por 4,4% da produção e 14,7% das exportações.
A produção brasileira de carnes também tende a manter trajetória de crescimento. Nos últimos dez anos, a oferta de carne bovina avançou, em média, 3,3% ao ano, a de carne suína cresceu 4,6% e a de frango, 2,1%. A combinação entre demanda doméstica e externa deve permitir a absorção de volumes maiores. O aumento do processamento de grãos e da oferta de coprodutos indica uma mudança estrutural no agronegócio brasileiro. Em vez de ampliar apenas as exportações de commodities, o País aumenta o processamento doméstico de milho e soja e transforma parte dessa matéria-prima em combustível, ingredientes para ração e proteína animal. Esse processo amplia a integração entre as cadeias de grãos, biocombustíveis e carnes e tende a elevar a geração de valor ao longo da cadeia, consolidando o Brasil como uma potência integrada de ração e proteína. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.